Mr. Domingues

Sempre ouvi que escrevo demais, e-mails longos, cartas intermináveis para namoradas, nunca consegui usar Post-it, enfim, bem ou mal eu gosto de escrever. A intenção é que isso aqui sirva como uma "descarga mental" onde comento fatos, acontecimentos e pensamentos, na verdade, tudo que me der vontade. Sabe quando se vê um filme, lê um livro ou algo no jornal e ficamos com vontade de discutir com alguém sobre o assunto? É pra isso que esse espaço serve, assim eu incomodo menos quem está à minha volta e começo a incomodar anônimos internet afora que queiram ser incomodados. Mas é claro que não vou fugir muito dos meus hobbies, interesses pessoais e profissionais, como saúde, atividade física, esporte, tecnologia e música.

sábado, 28 de agosto de 2010

La Vuelta 2010

Hoje teve início a última grande volta ciclística do ano, a Vuelta a España 2010 - http://www.lavuelta.com

A volta encerra a tríplice coroa do ciclismo de estrada (Giro d'Italia em maio, Tour de France em julho e La Vuelta em Setembro).

As principais equipes estão competindo, como Astana, Caisse D'Epargne, Cervelo Test Team, Euskaltel - Euskadi, Liquigas-Doimo, Rabobank, Htc - Columbia e Saxo Bank. Mas isso não quer dizer que os times estejam com força total e alguns nem levaram os seus “chefes”, como é o caso da Astana que está sem Alberto Contador.

A Vuelta é considerada uma das grandes voltas, mas das 3 grandes é a de menor importância e serve para muitas equipes testarem atletas menos experientes, iniciar um novo período de treino e a prova também é uma porta de entrada para equipes novas ingressantes no Pro Tour a convite da organização, como é o caso da equipe local Andalucia Cajasur.

Esse ano a etapa de abertura foi um prólogo na cidade de Sevilha, mas de maneira bem diferente, uma prova contra-relógio por equipes noturna. A prova recém se encerrou e teve como vencedor o time HTC Columbia liderado por Mark Cavendish, o melhor sprinter da atualidade no ciclismo de estrada. O time vencedor demorou 14’ e 6 segundos para percorrer os 13 km pelas ruas da cidade, numa média de 55,3 km/h. A equipe Saxo Bank, que é uma das favoritas em qualquer etapa, teve uma chegada no mínimo estranha, com o melhor ciclista de contra-relógio do mundo (Fabian Cancellara) demonstrando grande cansaço na linha de chegada e não cruzando-a em primeiro na equipe, como era de se esperar.

Normalmente essa prova era transmitida pelo canal TVE da Net (um canal espanhol), mas este ano a Net passou a transmitir o canal Galicia, que não transmite La Vuelta. A ESPN Brasil e a ESPN internacional transmitirão a prova, quase sempre no final da manhã ou “melhores momentos” em outros horários. Pela internet, a melhor transmissão creio que seja a do canal EuroSport Live - http://streamz.yolasite.com/ch-18.php Existem várias, mas minha preferência por essa foi por ser em inglês, já que o EuroSport tem muitos canais em línguas menos amistosas como o holandês, alemão e russo.

Amanhã de manhã devo participar de um contra-relógio individual, com percurso de 20 km. Enquanto lá na Espanha o pessoal faz médias acima de 50km/h, aqui nós reles mortais de Rio Grande e Pelotas devemos ficar muito contentes com médias perto de 40km/h.

Essa é a “pequena” diferença entre humanos normais e as “máquinas de pedalar” que vemos pela TV.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Bingo!!!

Quando eu comecei a usar a internet (1996) existia uma busca chamada Altavista (na verdade ao digitar esse texto descobri que o site ainda existe). Era comum digitarmos algo e aparecer “zero resultados”, ou 2 páginas. Algo inimaginável para quem começou a usar a internet depois de 2000.

Era uma época em que se não soubéssemos o endereço de um site, não tinha como achar a informação. Era uma época também em que existiam sites agrupados em servidores, como o Geocities, mas que mesmo assim, se errássemos um número ou uma letra no endereço, não íamos a lugar algum. Eu me lembro de ter uma agenda em que anotava os endereços "mais legais" como o site de alguma banda (das raras que tinham) ou de coisas como a Coca-Cola ou a NASA. Pra que serviria exatamente ir ao site da NASA eu até hoje não descobri, mas entendam que era uma época em que se a gente não fosse nesses lugares, não tinha aonde ir. Nem vou falar que todos os sites eram com fundo branco, texto preto e links em azul (e demoravam minutos para carregar com uma conexão discada de 14400 kbps). Quando criei o meu primeiro site (e tinha que saber linguagem HTML) estávamos na época dos fundos coloridos para os sites. Tudo baseado no Netscape Navigator, o único navegador da época.

Aí entre 95 e 99 surgiram no Brasil o Cadê, o Aonde e os mecanismos de buscas mais avançados como o Yahoo. Mas quem realmente mudou a maneira de se usar a internet foi sem dúvida o Google. Eu me lembro de ler no caderno ZH Digital (Zero Hora) lá por 1998 ou 99 que estavam lançando uma nova busca que surgiu como um trabalho de dois universitários e prometia ser inteligente porque levava em conta a relevância do site, bem como a frequência com que ele era acessado. No mesmo dia fui experimentar e logo vi que ele dava resultados bem diferentes das outras buscas mesmo. Em seguida mandei um e-mail para alguns amigos falando sobre essa "minha descoberta".

Hoje o Google dispensa apresentações e virou até verbo em inglês (I googled you = eu botei teu nome no Google pra ver o que aparecia), e quem aqui né amigo, nunca botou seu nome no Google pra ver o que aparece.

A Microsoft que sempre tem que tentar competir em tudo, demorou para entrar na internet. Eles não viam muita utilidade nisso, achavam que ela se concentraria apenas para uso militar e acadêmico e com isso o navegador do Windows (Internet Explorer) passou muito tempo despercebido, até todo aquele escândalo da instalação obrigatória junto do Windows 95.

Mas depois de entrar na internet e assumir o posto de navegador mais usado, a Microsoft ainda tinha (tem) outra liderança a tentar conquistar, a de mecanismos de busca. Para isso lançou o Bing, que tem uma fatia de mercado insignificante comparada ao Google, mas em breve deve ser o segundo mecanismo de busca mais utilizado (atualmente o Yahoo é o segundo).

Pra que toda essa introdução?

Agora lançaram um site que reúne na mesma página a busca do Google e do Bing, e é curioso ver como aparecem coisas distintas, mas às vezes pode ser útil fazer esse tipo de busca, principalmente quando buscamos imagens.

O site em questão é o Bingle (http://www.bingle.nu), que é uma palavrinha inventada misturando Bing + Google, mas não pertence a nenhuma das duas empresas. Ao digitar no campo de busca os termos, ele divide a tela em 2 e mostra do lado esquerdo os resultados do Bing e no lado direito, os do Google. Ainda por cima, a pronúncia é “bingo”, que em várias línguas indica a exclamação para quando achamos ou conseguimos resolver algo.

Essa é somente para os homens.

Experimentem em qualquer um dos sites fazer uma busca por imagens usando bingle como palavra-chave.

domingo, 1 de agosto de 2010

Estudar pra quê?
Pela primeira vez coloco aqui um texto que não é meu, mas ao ler percebi que partilho do mesmo ponto de vista em relação aos alunos que passam pelos bancos das universidades. Minha vida acadêmica de professor iniciou em 2003, mas já foi tempo suficiente para conseguir enxergar essa mesma "classificação" dos alunos que o autor explica abaixo. E possivelmente a dedicação para tudo na vida resulte em finais semelhantes à vida acadêmica, em que podemos ser desde excelentes até medíocres, dependendo principalmente do nosso empenho e força de vontade. Só discordo do autor porque acho que existem exceções para ambos os lados, tanto alguns muito bons que acabam tomando outro rumo na vida (quase sempre por opção), bem como aqueles que se dão bem sem merecer (quase sempre por sorte). Mas vamos ao texto.

Se é importante fazer faculdade, por Eduardo Jablonski
Hoje, pouco antes de começar minha aula, ouvi uma aluna defendendo a seguinte opinião: “Para que fazer faculdade? Depois ficaremos obrigatoriamente desempregados. Todos os meus conhecidos que se formaram não trabalham na área.” Aristóteles que me perdoe, mas ela tem e ao mesmo tempo não tem razão. Pela minha experiência, acompanhando a carreira de centenas e até milhares de pessoas nos últimos 20 anos, concluo que as pessoas graduadas com nível superior se dividem em três grupos.
O primeiro abriga os relapsos, os que não gostam de estudar, os que faltam muitas aulas, os que copiam trabalhos de colegas ou da internet, os que não prestam atenção na fala do professor, os que não leem a bibliografia solicitada, os que não pesquisam, os que não procuram livros sobre a matéria, para tentar se aperfeiçoar, os que faltam às aulas quando há palestras. Esses caras jamais conseguirão trabalhar na área na qual se formaram. Se arranjarem vaga, será com certeza por tempo reduzido. A incompetência os demitirá. Sei de jornalista de meio impresso que acha que repórter não precisa dominar a gramática da Língua Portuguesa. É por pensar assim que ele, em 15 anos de profissão, tendo se formado em uma grande universidade, nunca obteve espaço em grandes jornais.
O segundo grupo engloba pessoas que fazem tudo pela metade. Estudam um pouco, leem alguma coisa, prestam atenção no professor, têm alguma assiduidade. Mas não são dedicados, não se esforçam tanto quanto seria necessário, não suam sangue para obter promoções ou empregos importantes. Esses indivíduos vão trabalhar na área, sim, mas não atingirão os melhores postos, a não ser por milagre ou por amizade.
O terceiro grupo envolve os estudiosos, os que leem a respeito do campo que escolheram o tempo todo, os que passam a madrugada sobre os livros, os que estudam regularmente e, quando necessário, param tudo para estudar ainda mais. Esses homens e mulheres serão os vencedores de amanhã. Talvez nunca fiquem desempregados.
Conheço dezenas e até centenas de casos em cada um desses grupos e nunca vi exceção. Abri essa alternativa, porque não sou o dono da verdade. Posso estar equivocado. Mas, concluindo, não é verdade que não adianta estudar, que é perda de tempo. Quem se dedica se dá bem, e quem não se dedica se dá mal. É simples assim. A verdade em geral é simples.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Uma questão de prioridade.
A Copa do Mundo de futebol acabou, e o Brasil não ganhou. Agora as discussões voltam a ser o Brasileirão, o Gauchão, a segunda divisão, a Libertadores e sei lá mais o que. Quem me conhece sabe que entendo tanto de futebol quanto falo sueco, nada contra o esporte, só não sou fanático, pra mim é "apenas mais um esporte". E sinceramente não entendo o fanatismo que vejo diariamente nem as discussões que não vão a lugar algum. O pessoal fala na primeira pessoa - "jogamos mal, mas vocês também não ganharam, agora nós vamos contratar..." como se eles tivessem feito algo além de ficar em casa vendo pela TV. E torcer fanaticamente por uma “entidade” que muda diariamente eu não compreendo muito. Se alguém me disser que torce pelo tenista Rafael Nadal eu entendo, mas como torcer por um grupo que muda continuamente e o cara que jogava no time inimigo ontem agora joga pelo “meu” time? Da mesma forma não entendo as estatísticas do futebol - se um time ganhou ou perdeu na década de 70 para o outro time, que influência tem isso sobre o jogo que será disputado amanhã de noite?
Mas tudo bem, como disse antes, nada contra o esporte e muito menos contra os torcedores, só não entendo. A torcida na copa do mundo ainda tem um lado de patriotismo, que é bem compreensível, mas sempre o fanatismo pelos clubes é maior (pelo menos no Brasil). Com tudo isso, não me surpreendi quando li essa manchete que reproduzo (um trecho) abaixo:
"Pesquisa comprova a necessidade que o brasileiro tem de assistir futebol".
Dedicação semanal ao esporte ocupa mais de 5 horas na agenda masculina
Mais uma vez, quando o assunto é futebol, tem brasileiro no meio. A Heineken acabou de divulgar o resultado da pesquisa realizada com 5,3 mil homens de 15 países sobre a importância do futebol na vida dos homens, e o Brasil está em segundo lugar, perdendo apenas para os ingleses.
Os ingleses aparecem como os mais fanáticos quando o assunto é bola na rede ao assistir semanalmente cerca de 2 horas e 22 minutos de partidas e ao passar 3 horas e 21 minutos falando sobre futebol. Os brasileiros vêm em logo seguida ao conversar sobre os últimos resultados, faltas, gols ou rumores de transferência com seus amigos, por aproximadamente 3 horas e 20 minutos e ao assistir um total de 2 horas e 10 minutos de partidas a cada semana.

Tudo bem, não sei se a pesquisa pode ser confiável ou não, nem se isso representa a realidade do país, mas vamos considerar que sim, que esse dado é real, pelo menos eu presencio diversas discussões do tipo. Ou seja, o homem brasileiro (nessa pesquisa) somando assistir e discutir futebol, dedica em média 5h 30 minutos por semana à essa atividade. Haja tempo.
Logo após o jogo Brasil x Holanda o Twitter saiu do ar - "Twitter is over capacity." Sinal da necessidade das pessoas em expressar sua opinião e cada um dar a sua explicação do que havia acontecido, algo comparável ao juízo final.

Vamos pensar agora.
Atualmente os órgãos de saúde mundiais pregam que um adulto deva acumular pelo menos 2h e meia de atividades físicas por semana. A população é sedentária, digamos que por baixo metade da população não faz nem o mínimo que deveria (sendo bondoso nessa estimativa).
Vejamos, uma pesquisa do meu amigo Felipe Fossati (da qual participei) mostrou que uma das principais barreiras relatadas na população para não fazer atividade física é justamente a "falta de tempo". Ou seja, o pessoal assume que seria legal fazer algum exercício, mas o cotidiano não permite pela falta de tempo.
Quem sabe se a gente pegasse metade apenas do tempo dedicado às discussões futebolísticas (que não levam a nada) e fizesse com que os homens transformassem isso em exercício? Vejam bem, menos da metade do tempo já seria suficiente para transformar um sedentário num ativo. Tudo bem, eles poderiam discutir futebol em cima de uma ergométrica, ou em esteiras, não precisava parar de discutir (já que é um vício), mas que pelo menos a discussão não fosse feita de maneira sedentária (ou acompanhada de álcool e petiscos num balcão de bar). E depois as mulheres que têm fama de tagarela.

sábado, 26 de junho de 2010

Pais & Filhos

Quando se faz pesquisas envolvendo a população, uma das coisas que seguidamente ouvimos é: o que o povo receberá em troca? Realmente, em muitas vezes os pesquisadores “usam” a população sem dar nada em troca e na maioria das vezes o que se recebe é de forma indireta - o conhecimento científico aumentado pode resultar em melhores cuidados em saúde. Mas isso é meio difícil de ser entendido.
Outra forma de dar algo em troca é quando os resultados de uma pesquisa são divulgados de forma ampla com a intenção de mudar a vida das pessoas, ou pelo menos para fazer com que os envolvidos pensem no assunto. Eu tive a felicidade de ter meu trabalho de doutorado (sobre exercício físico na gestação) muito divulgado no país: Revista Saúde É Vital (Editora Abril), Folha de São Paulo, Zero Hora, Jornal Agora (de Rio Grande), Revista SuperAção (especializada em corrida), Rádio Manchete, e mais uma série de reportagens em sites que copiaram as matérias de outras fontes. De vez em quando “I Google myself” e vejo que até hoje seguem publicando coisas por aí com o meu nome, às vezes me impressiono com as palavras que atribuem a mim. Para essa pesquisa eu contei com a colaboração de quase 5 mil mulheres e com certeza um número muito maior de grávidas teve acesso às matérias e de alguma maneira usaram essa informação. Tarefa cumprida.
Agora mais uma vez tenho a sorte de participar de uma pesquisa com ampla divulgação. Não como primeiro autor, mas fui co-orientador de doutorado do Samuel Dumith que estudou atividade física dos adolescentes nascidos em 1993 na cidade de Pelotas. O estudo com mais de 4 mil jovens foi noticiado na Folha de São Paulo, Zero Hora, Rádio Jovem Pan, diversos sites e hoje novamente na Zero Hora, dessa vez na coluna do Moacyr Scliar.
Entre os resultados estão constatações que todos percebem ao analisar o comportamento dos adolescentes de hoje: eles estão fazendo muito mais atividades sedentárias do que antigamente. Menos da metade dos jovens faz o que deveria fazer em termos de exercício. Os prejuízos visíveis agora são mínimos e normalmente não passam do jovem “gordinho”, mas o que será dessa geração dentro de 40-50 anos ninguém sabe, já que nunca se viu alguns problemas como diabetes tipo 2 em crianças, mas agora isso é uma realidade.
Os meninos são mais ativos do que as meninas e pra isso não precisamos de pesquisa, basta perguntar para qualquer professor de educação física escolar sobre o comportamento dos jovens durante uma aula - as meninas inventam todas as desculpas possíveis e impossíveis para não se mexer, fazem questão de trajar roupas impróprias à atividade, usam a menstruação como impedimento, têm “pavor” de suar, entre outras. A observação de competições esportivas denota a mesma diferença - em qualquer corrida de rua, por exemplo, a quantidade de mulheres na linha de largada costuma ser 10 vezes menor que a de homens. E isso se reproduz em diversos esportes. Por outro lado, o esporte profissional nunca envolveu tanto dinheiro nem foi tão divulgado quanto hoje em dia. Uma geração de fãs e adoradores que nada mais faz além de observar (normalmente comendo porcarias ao mesmo tempo).
E as gerações anteriores já nos mostraram que, se um jovem é ativo, a chance dele ser um adulto ativo é muito maior do que se ele for sedentário na juventude: jovens sedentários tornam-se adultos sedentários.
O exemplo para atividade física deve partir de casa, desde cedo. Pais sedentários criam filhos sedentários, que se tornarão adultos doentes. O pai que tem como conceito de esporte assistir fórmula 1 e futebol pela TV cria filhos que o usam como exemplo, atletas do controle remoto.
A mensagem principal da pesquisa é para os pais: mexam-se e sejam exemplos para seus filhos, ambos ganharão com isso.

sábado, 5 de junho de 2010

Clínica de natação
Participei no último fim de semana de uma clínica teórico/prática de natação com o técnico Cezar Augusto Bolzan. Não entrei na água, fui apenas como professor/ouvinte. O professor Cezar é gaúcho de Santa Maria, formado na UFSM e com cursos posteriores na UFRGS e outras. Foi nadador na década de 70 e desde os anos 80 trabalha na preparação de nadadores do Brasil e de outros países. É membro de associações como a American Swimming Coaches Association (ASCA - USA) e da National Coaching and Certification Programs (NCCP - Canada) tendo realizado estágios em diversos centros de treinamento mundo afora, inclusive no Colorado Springs Olympic Training, onde a maioria dos atletas olímpicos norte-americanos treina e possivelmente o centro de treinamento mais avançado do mundo.
A minha intenção no curso era ouvir algo novo na área de treinamento, mas pelo tempo curto (6 turnos de curso) só foi possível a abordagem das técnicas dos 4 nados, com pouquíssimas palavras sobre treinamento. O público ouvinte era de aproximadamente 70 pessoas, metade atletas e metade professores/estudantes. Gente de Pelotas, Porto Alegre e Rio Grande. Técnicos de equipe competitiva só vi 3 (que eu saiba); a Marlise Geri (Energia, Rio Grande), Mario Leite (Caixeiros Viajantes, Porto Alegre) e o próprio Nico (Brilhante, Pelotas). Surpreendeu-me a baixa procura pelo curso dos alunos da UFPEL (universidade onde sou professor e que era uma das entidades promotoras do curso). Essa baixa procura (creio que 4 alunos apenas) demonstra claramente o baixo interesse por esse esporte na nossa região (sul do Rio Grande do Sul). E isso se reflete diretamente no nível dos atletas da região, é um ciclo vicioso - pouca gente treina, poucos professores se especializam na área, os resultados não aparecem, o interesse cai mais ainda...
Ao ver os praticantes que caíram na água percebe-se que a realidade continua sendo: 3-4 adolescentes na casa dos 20 anos nadando bem e treinando sério, meia dúzia de masters (pessoal que treina e compete por prazer e que não tem tempo pra treinar pesado) e uma gurizada entre 12-15 anos, aquela geração que “promete” e que em 99% dos casos abandona o esporte antes dos 18 anos.
Uma coisa que gostei no discurso do Cezar foi justamente essa realidade que ele fez questão de demonstrar. Diferente de outros palestrantes na área que gostam de mostrar o sucesso das nossas exceções e apontar o plano para o sucesso de gente como Xuxa, Gustavo Borges, Thiago Pereira, Cielo’s e CiA. ele aponta uma série de razões para que a natação brasileira seja tão ruim quanto é. Nunca vi essa estatística, mas tenho a impressão que a natação brasileira consegue produzir em média um bom atleta olímpico a cada 10 anos. E mesmo assim, a maioria só se destaca depois de sair do país.
Como professor e nadador/triatleta não vi nenhuma grande novidade ou descoberta, mas alguns pontos destacados por ele em relação à natação brasileira e que valem para a maioria dos esportes em nosso país:
- inexistência de programas de detecção de talentos;
- queima do atleta no início da carreira, levando ao esgotamento principalmente psicológico;
- direcionamento de provas equivocadas para as faixas etárias (provas curtas para crianças - que fisiologicamente têm uma capacidade anaeróbica muito baixa);
- falta de interesse da mulher brasileira pelo esporte, e mesmo as que procuram o esporte não costumam encarar da mesma forma que as estrangeiras;
- falta de conhecimento e de atualização dos treinadores nas áreas de fisiologia do exercício e treinamento desportivo;
- excesso de treinamentos com baixa especificidade;
- a realidade da maioria dos clubes e escolinhas de 1 treinador para 20-30 atletas não permite um desenvolvimento atlético satisfatório;
- falta de uma visão da saúde global do atleta e não apenas profilaxia de lesões esportivas;
- desleixo de muitos treinadores nos detalhes que podem ser melhorados com ajuda de recursos simples como fotos e filmagens;
- erros gritantes nas dietas dos atletas;
- falta de estrutura para treinar fora dos grandes centros, o que obriga muitos atletas a se deslocarem para longe do núcleo familiar e muitas vezes isso gera desequilíbrios;
- preocupação excessiva com os tempos e com o treinamento físico quando detalhes técnicos impedem o resultado excelente, muitas vezes gerando lesões, etc.

Na parte mais técnica, algumas coisas interessantes que estão mudando com a natação mundial, como a importância que assumiu hoje em dia o nado submerso, que em algumas provas (de piscina) pode representar metade da distância nadada na prova. Esse é o tipo de “estalo” que às vezes falta e que diferencia um bom nadador de um vencedor. Ele também mostrou conceitos de biomecânica e hidrodinâmica, que avançaram muito com os maiôs high tech. Ele próprio um ferrenho defensor dos maiôs, mas mesmo que eles não sejam mais usados, toda a pesquisa feita para desenvolvimento dos tecidos e os desenhos das roupas colaboraram em muito para a compreensão do que deve ser feito em termos de posicionamento do nadador para atingir maiores velocidades, principalmente na fase submersa do nado.
Senti falta no curso dos assuntos que estavam em destaque no cartaz de divulgação, como: “prescrição de treinamento” e “avaliação e performance”. Claro que, de tudo que ouvi não concordo com 100% do que foi dito, mas ele me pareceu um ótimo profissional. Digamos que um excelente professor de beira de piscina, com muita experiência e com “bom olho”, que está se aventurando também na área acadêmica e de gestão-marketing.
A clínica teve apoio do Clube Brilhante (Nico) e da UFPel (Francisco Tavares, o Chico).
Cezar Bolzan no Twitter - http://twitter.com/@cezarbolzan
Blog - http://swimcamp2010.blogspot.com/

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Good old Aerosmith
Show da "Cocked, Locked, Ready to Rock Tour”, no Palestra Itália (estádio do Palmeiras em São Paulo), 29/05/2010, 2 dias após o show em Porto Alegre. Por que não fui ao show em POA? Porque quando o show foi anunciado seria apresentação única no Brasil. Como eu queria ver um show deles desde 1990, comprei logo o ingresso. Um tempo depois o show de Buenos Aires foi cancelado e agendaram um show para PoA. Não dava pra trocar ingressos porque era de uma empresa diferente. Mas até fiquei contente que teve o show no RS, sinal que estamos aos poucos acabando com o monopólio do eixo RJ-SP para shows internacionais (só esse ano já foram a PoA: Metalica, Guns, Megadeth, Cranberries, Aerosmith, Dream Theater, SPy Vs. Spy, ZZ Top, etc.).
O show de abertura começou 5 minutos adiantado, os gaúchos da Cachorro Grande tocaram 50 minutos, mas não vi o show todo, só saí do hotel quando vi que eles já estavam no palco. Ficando num hotel próximo ao estádio dá prá fazer essas, esperar a Cachorro Grande subir ao palco pra sair do hotel, e indo na área VIP, dá pra entrar 10 minutos antes do show que já se entra colado no palco mesmo. O show deles não incomodou ninguém, um rock simples, músicas de 3 acordes, refrão, solo, nada de novo, e o guitarrista deles até me surpreendeu (só um pouco). E como disse o vocalista: “obrigado por nos aturarem, pelo menos eu vou poder dizer pros meus netos que toquei no palco do Aerosmith”.
A troca de palco foi feita em menos de 40 minutos e aí começa o suspense. A primeira reação do povo foi quando destaparam a bateria e apareceu aquela pele do bumbo com o logo das asas. O Aerosmith subiu ao palco menos de 10 minutos após o horário (21:30). As luzes do palco se apagam e desce uma bandeira gigante com o símbolo do Aerosmith cobrindo todo o palco. Eles assumem suas posições, começam a fazer barulho e a falar com o publico até começar a "Eat the Rich" (que não estava no show de PoA), seguida por "Love in an Elevator". O repertório teve a maioria das que fizeram sucesso no Brasil nos últimos 20 anos: Crazy, Falling in Love (it’s hard on the knees), Crying, Jaded e Pink, que pra mim são “novas” (anos 90 e início dos anos 2000), além das um pouco mais antigas como What it takes que começou a capela e eu achei que ele não fosse continuar com a banda (essa foi uma das que eu filmei), Sweet Emotion, Dream On, Draw the line, Kings and Queens. Se eu pudesse incluir no repertório: Full Circle, Angel, Janie's Got a Gun. Muitos esperavam I don´t want to miss a thing que não veio, em compensação algumas trocas no repertório ficaram melhores (pra mim), como a troca de Mama Kim por Eat the Rich. Solo de bateria de Mr. Joe Kramer e solo de Joe Perry (um dos maiores criadores de riffs do rock). O solo do JP foi um tanto diferente, ele fez um duelo com ele mesmo no Guitar Hero. Antes do solo ele explicou: em todo lugar que vou alguém vem me dizer que ganhou de mim no Guitar Hero, e hoje vou mostrar pra vocês que eu sou bem melhor que o personagem, por isso que me ganham no jogo. (um sujeito atrás de mim berrava a toda hora: "dá-lhe Zé Bonitinho" pro guitarrista Joe Perry, que realmente lembrava muito o personagem por causa do topete/barba em conjunto com o narigão)
Mr. Steven Tyler aos 62 anos faz tudo que um frontman tem que fazer, além de premiar a plateia com presentes como óculos escuros e 3 gaitas de boca (ao final dos solos ele atirava-as ao público). Mas o mais legal (para o dono da máquina) foi quando ele pediu que um espectador atirasse a filmadora pra ele, o cara atirou e Tyler filmou a si mesmo cantando e um pouco da platéia, em seguida devolveu a câmera ao dono. Essa filmagem agora deve rodar o mundo via UTube.
A banda segue perfeita ao vivo mesmo com o peso da idade, as desavenças recentes e o fato de estarem iniciando uma nova turnê, que às vezes demora um pouco para se ajustar, o que não deve ser o caso pra alguém que está na estrada há mais de 30 anos. A banda ficou afastada de tudo e quase acabou por causa de um tombo do vocalista durante um show. Após o acidente, ele, como toda celebridade que se preze, ficou viciado em analgésicos e se afastou da banda que chegou a abrir vaga para outro. Com isso, agora o cuidado com o palco beira a neurose, todos os cantos são checados e inúmeras vezes, inclusive com pulos pra ver se está firme e qualquer coisa que atirem ao palco demora 4-6 segundos para que um roadie faça desaparecer, tudo para evitar possíveis tombos, tropeços, etc. (by the way, claro que atiraram uma calcinha vermelha para o vocalista).
Na parada programada para o bis, o telão mostrava uma mescla de bandeira do Brasil com logotipo da banda.
Acho que foi meu primeiro e último show do Aerosmith porque se um dia eles voltarem ao Brasil talvez não tenham mais gás para aguentar uma apresentação como a de ontem que em termos de presença de palco não deixou nada a desejar. Mas tudo bem, outros virão, só é triste pensar que tem gente que nunca veremos ou não veremos mais, Mr. Eric Clapton é um exemplo. Em Londres perdi uma temporada dele no Royal Albert Hall por poucos dias, não fui vê-lo na sua última vez no Brasil e agora acho difícil ele voltar porque não deve mais estar encarando longas turnês transcontinentais. Como ele mesmo disse recentemente: “estou ficando velho, eu me vejo nos shows de 15-20 anos atrás e percebo que já não consigo mais tocar daquele jeito”.
Todos envelhecem, mas alguns, apesar do excesso de drogas e álcool (ou quem sabe por causa disso) conseguem prolongar a juventude no palco. Steven Tyler é um exemplo disso. Tudo bem que os saltos e espacatos ficaram perdidos em algum lugar entre os anos 80 e 90, mas rebolar como o Ney Matogrosso, correr e cantar por 2 horas daquele jeito, depois dos 60, é pra poucos. Isso pra não falar naquela voz inconfundível que não é nada bonita, mas se encaixa perfeitamente em tudo que eles fazem e jamais poderiam colocar outro no lugar dele como foi cogitado tempos atrás. Seria melhor fechar a banda, até porque todos ali já têm tempo de contribuição pra se aposentar, mas tomara que ainda sigam fazendo boa música por mais um tempo. Por falar nisso, estão devendo um disco bom para os fãs desde Nine Lives, já que o último de estúdio (Just push play) ficou muito a desejar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pilates: uma briga ou mais uma lei esquecida?

Lei publicada no Diário Oficial da última sexta-feira (21/05/2010): de hoje em diante o método de ginástica conhecido como Pilates só pode ser ministrado por professores de educação física. Briga direta com os fisioterapeutas, que creio hoje são a maior força de trabalho nessa área e dominam também como formadores de novos profissionais, ministrando cursos Brasil afora.
Pra quem quiser ler a resolução na íntegra, esse é o link . Mas coloco aqui os trechos mais relevantes da lei: "...o Pilates é uma modalidade/método de ginástica que, como tal, deverá ser orientado por Profissionais de Educação Física." "...A prática do Pilates busca o aperfeiçoamento do condicionamento físico geral, a estabilização postural e a melhoria do desempenho nas atividades físico-desportivas e nas atividades típicas da vida diária, expressas pelo aprimoramento da força muscular, da mobilidade articular, do equilíbrio e harmonia de forças das cadeias musculares do aparelho locomotor, da coordenação motora e do equilíbrio e postura corporal." "... cabe aos Profissionais de Educação Física, avaliar, planejar, prescrever, ensinar, aplicar, orientar, controlar, supervisionar, coordenar e dirigir atividades individuais ou coletivas de Pilates, em sua forma original ou em qualquer outra forma derivada..." "...a pessoa jurídica prestadora de serviços na área de atividades físicas, desporto e similares que oferecer o Pilates deve garantir que sua prática seja orientada e dinamizada por Profissionais de Educação Física."
Vejam agora o que diz em outra lei sobre o papel dos fisioterapeutas: “cabe ao fisioterapeuta o diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais, prescrição e aplicação de condutas fisioterápicas e acompanhamento do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço.”
É uma zona bem propícia a duplas interpretações, bem como o uso de exercícios com pesos na recuperação de lesões, muitas vezes é difícil estabelecer onde encerra a função do fisioterapeuta e onde inicia a do Educador Físico - exatamente o que é uma conduta fisioterápica? O Pilates é buscado por muitos como uma forma de exercício físico, como condicionamento geral (papel do educador físico), mas também é feito por pessoas que procuram uma reabilitação ou que têm um problema específico que requer um tratamento fisioterápico (papel do fisioterapeuta). Eu mesmo sou professor de educação física e pratico Pilates, instruído por duas fisioterapeutas (caros colegas, não me crucifixem).
Eu procurei a atividade por causa de um problema de coluna e busquei profissionais com mais experiência na área de fisioterapia porque sei que a formação do profissional de educação física nesta área não é tão boa quanto à dos fisioterapeutas. Busquei profissionais que poderiam compreender clinicamente o meu problema e soubessem como prescrever quase que um “tratamento” através do exercício físico dentro do método Pilates. Com o meu problema não tem cura, o tratamento não tem fim, portanto eu não terei “alta”.
Briga semelhante ocorre (apesar da lei ser tão clara quando à do Pilates) na área da ginástica laboral, que é uma atividade claramente do educador físico, mas que em vários locais é ministrada (equivocadamente) por fisioterapeutas. A divisão que eu faço em relação à fisioterapeutas e educadores físicos é mais ou menos a seguinte: em pessoas saudáveis, ou que buscam o exercício para desempenho esportivo, finalidades estéticas, para desestressar, prevenir lesões, nesses casos é muito claro que são funções do educador físico. Já durante o tratamento de lesões e de pessoas com algum problema de saúde, existe uma “sombra”, uma área obscura que dependendo do ponto de vista pende para o fisioterapeuta ou para o educador físico. Eu mesmo ao longo dos meus 10 anos de professor em academia fiz muitas vezes o papel de fisioterapeuta.
Como atualmente deixei de atuar na área (serviços autônomos e academias), hoje minha preocupação como cliente e consumidor é outra que vai além do diploma do profissional - a formação específica na modalidade Pilates. Antigamente (há menos de 10 anos) o profissional deveria buscar essa formação no exterior, era um curso caríssimo e durava meses. Hoje em dia é possível tornar-se um instrutor de Pilates em cursos que duram (pasmem) 6 dias. Eu como cliente procuro um profissional que tenha bons conhecimentos de anatomia, cinesiologia/biomecânica, enfim formação comum aos dois cursos, mas me preocupo também com o conhecimento na área específica, já que é um método que, se mal conduzido, pode agravar um quadro como o que eu tenho (degeneração de disco intervertebral).
Mas por bem ou por mal, essa com certeza será mais uma daquelas leis do Brasil que alguns sabem que existe, mas não altera em nada o nosso cotidiano. Duvido que o Conselho de Educação Física faça uma fiscalização ofensiva, e, se fizer, provavelmente o Conselho da Fisioterapia vai se defender. Reflexo disso? Pode ser que num futuro distante, para frequentar um curso de Pilates seja exigido ser formado em Educação Física, e assim, no longo prazo, a profissão seria dominada por educadores físicos. Mas tirar do campo de trabalho quem já está estabelecido é algo irreal. E também, se é pro pessoal seguir fazendo cursos de 6 dias... faz alguma diferença?

domingo, 2 de maio de 2010

Giro D’Italia

No próximo sábado (8/5) inicia a temporada das voltas ciclísticas mais importantes da Europa (e do mundo), as chamadas Grand Tours - Il Giro d'Italia, Le Tour de France e La Vuelta a España.
A mais importante competição desse tipo é o Tour de France, que ocorre desde 1903 e é o terceiro evento esportivo mais assistido em todo mundo, perdendo apenas para Olimpíada e para a Copa do Mundo de futebol.
A segunda prova mais importante do ciclismo mundial começou em 1909 e é a que dá início a temporada - Il Giro d'Italia.

A competição acontecerá toda no mês de maio (entre os dias 8 e 30), com largada em Amsterdã (Holanda). Depois do prólogo, mais duas etapas serão corridas em solo holandês. No quarto dia de competição eles terão o primeiro dia de descanso quando toda trupe viaja para Itália e iniciam a volta no país pela cidade de Savigliano, com chegada em Verona no dia 30/05.

Ao todo, 22 equipes disputam a 93ª edição desta prova com times de 9 atletas cada uma. As principais equipes estarão lá como sempre: Ag2r-La Mondiale, Astana, Caisse d'Epargne, Cervelo, Garmin-Transitions, Lampre Farnese, Liquigas-Doimo, Bmc Racing, Quick Step, Rabobank, HTC-Columbia, Milram, e Saxo, para destacar algumas. Mr. Lance Armstrong e os Radioshack boys só aparecerão no Tour, como de costume. E o site oficial do Giro brinca bastante com o fato de Lance Armstrong não estar presente na prova.

Serão 21 etapas e apenas 2 dias de repouso (11 - 24), percorrendo 3418 km. Em média 163 km são percorridos a cada etapa, mas várias ultrapassam os 200 km.
Serão 3 etapas de contra-relógio (dias 8 - 12 - 25 - 30), sendo a primeira etapa (08/05) um Prólogo em Amsterdã e a última etapa é a chegada em Verona no dia 30 com um contra-relógio também.
Serão 5 etapas de montanha (dias 16 - 22 - 23 - 28 - 29), as mais interessantes e que realmente costumam decidir o vencedor desse tipo de prova.
O restante das etapas é de dois tipos, as planas (7 etapas) e as chamadas onduladas (5 etapas). Estas etapas são o feijão com arroz da prova e costumam ser vencidas por sprinters. Normalmente nenhum ataque importante acontece nelas e é a hora dos anônimos terem seus minutos de fama a frente do pelotão. Os líderes das equipes vão muito bem protegidos no meio do pelotão e simplesmente completam a etapa junto com todos outros.
O Giro é menos importante que o Tour, mas sempre mostra como as equipes estão preparadas para a temporada. É a hora para os últimos ajustes para quem pretende ir ao Tour.

Para acompanhar a prova pela TV, no Brasil a única opção é o canal italiano RAI, que costuma passar as etapas quase sempre na íntegra, mas também existem opções pela internet. Uma delas é o site http://www.channelsurfing.net/ que costuma transmitir o Giro, entre outras competições.
Para quem não tem tempo para ver as coisas ao vivo, a melhor opção são os sites Cycling Fans, e o Cycling News que têm cobertura fotográfica e jornalística especializadas.

A foto que ilustra o post mostra o que todos ciclistas do Giro desejam......o troféu de campeão do Giro 2010. Mas é claro que, por se tratar de Itália, tudo tem sempre que vir acompanhado de uma linda mulher.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Eurovelo, que inveja.
Pode parecer que estou obcecado por meios de transporte, mas é que li a notícia hoje e não pude deixar de sentir um pouco (mais um pouco) de inveja da Europa - "Ciclovia vai atravessar 20 países ao longo da Cortina de Ferro". O projeto tem apoio da União Europeia, de algumas empresas de ciclismo, da ECF (European Cyclist’s Federation) e dos governos de cada país. A intenção é integrar a Europa com uma ciclovia gigante - a EuroVelo, que somará, quando pronta, 60 mil km de ciclovias. Atualmente 45 mil km já estão praticamente prontos.
A Eurovelo é composta por vias que não foram construídas especificamente para esta finalidade (estradas já existentes) e por vias projetadas para o cicloturismo. As vias que já existiam precisaram ser aprovadas pela ECF e várias são as exigências. Entre as principais: possuir infraestrutura (comércio com provimentos a cada 30 km, hospedagem a cada 50 km e transporte público a cada 150 km); nas vias que permitem circulação de automóveis, que seja inferior a 1000 automóveis/dia; a inclinação não pode ser superior a 6%; e deve permitir 2 bicicletas lado a lado. Todas essas exigências servem para que o trajeto não seja feito apenas por atletas, a intenção é que qualquer pessoa com vontade possa pegar uma bicicleta e viajar, mesmo sem ter o condicionamento de um ciclista competitivo.
Os caminhos levam do norte da Noruega à Sicília (sul da Itália), de Moscou a Irlanda, de Londres a Roma, enfim, cruza a Europa de várias maneiras (mapa). Em alguns locais como a Áustria, vários hoteis ficam à beira da ciclovia e fornecem aos turistas (além do serviço de hotel normal) reparos em bicicletas, venda de peças, etc. Este último trecho a ser construído (o Eurovelo 13) se chamará Iron Courtain Trail, em alusão à “cortina de ferro”. Terá 7 mil km e cruzará 20 países. Projetos semelhantes já existem na Alemanha. Um deles é a ciclovia ao longo de antigo Muro de Berlim, com uma extensão de 160 km.
Enquanto isso, no Brasil temos apenas 600 km de ciclovias. Pelo clima do Brasil (propício para a atividade ao ar livre) e por sermos relativamente pobres (o que é um dos motivos que leva muitos trabalhadores a usar a bicicleta como meio de transporte) o investimento nesse tipo de transporte deveria ser muito maior. Além disso, se trata de grande um investimento inicial, mas que requer pouca manutenção quando comparado às outras vias.
Muitas das ciclovias brasileiras vão de nenhum lugar a lugar algum, ou seja, ficam num centro urbano e para usar a ciclovia a pessoa deve levar sua bicicleta até o local, de carro ou se arriscar no trânsito. Chegando lá o que se pode fazer é um vai-e-vem inútil de meia dúzia de quilômetros, ao longo de uma avenida, em volta de uma lagoa ou de uma praça, quase sempre desviando de pedestres, patinadores, skatistas, carrinhos de bebê, etc. Faltam ciclovias que acompanhem as vias normais, que percorram os trajetos que interligam bairro-centro ou cidades vizinhas.
A ciclovia aqui ainda é vista como um local para o lazer, para o pai ensinar o filho a pedalar ou para se passear nas manhãs de domingo. Falta entenderem que aquilo pode ser um local de lazer, mas a intenção principal da ciclovia é tornar-se uma alternativa ao trânsito motorizado, é para usar a bicicleta como meio de transporte barato, saudável e não poluente.
Minha irmã morou na Holanda na década de 90 e testemunhou que nos mercados, o espaço destinado às bicicletas era sempre maior do que o destinado a estacionar automóveis. Aqui qualquer estacionamento visa abrigar o maior número de automóveis, algum espaço para motocicletas, e se sobrar uns 5-6 metros se coloca um suporte metálico para encaixar a bicicleta.
Mas a mudança é muito mais profunda do que parece. Além do cicloturismo, dos mochileiros que querem viajar, faltam itens estruturais mais simples no país e visão empresarial, por exemplo, locais para guardar as bicicletas e chuveiros que permitam um banho ao chegar ao serviço após a pedalada. É uma questão de mudar de mentalidade. No Brasil, usar a bicicleta como meio de transporte é “coisa de pobre”, mas é um pensamento bastante atrasado. Lembro-me de ver os professores da tradicional University of Oxford pedalando de terno e gravata borboleta, indo para a universidade e entrando nas suas salas com um capacete embaixo do braço. O brasileiro é muito chique, alguém consegue imaginar um médico chegando ao hospital de bicicleta? O que iriam dizer - o doutor está maluco, ou é muito pão duro, tem dinheiro pra andar de carro, mas anda de bicicleta. Era capaz até de perder paciente já que o normal é o doutor chegar num carro importado porque isso parece ser sinônimo de competência e sucesso profissional. Infelizmente aqui bicicleta é para pedreiros e demais trabalhadores braçais.

sábado, 24 de abril de 2010

Eu quero um trem!!!
Uso a estrada diariamente pra me deslocar, pra correr e pra pedalar porque moro à beira de uma rodovia, a BR-392 que faz todo escoamento da produção rumo ao Porto de Rio Grande, segundo porto mais importante do país. Enquanto alguns enxergam o progresso chegando de caminhão em direção ao porto, eu vejo um atraso de vida e fico triste. A todo o momento me pergunto - quando teremos trens?
Uma composição (locomotiva + 80 vagões) carrega o equivalente a 200 caminhões, vamos fazer uma conta rápida. Mesmo sabendo que eles não andam num grupo tão numeroso, um comboio de 200 caminhões ocupa pelo menos 6 km em uma estrada, são 200 motores a diesel poluindo e uns 1600 pneus “castigando” a estrada. Imagine que, se apenas uma composição representa tudo isso em caminhões, o que poderíamos diminuir em acidentes, poluição, engarrafamentos, aumentar a vida útil das estradas, etc. se o sistema ferroviário fosse eficiente?
No pico da safra agrícola no estado, chegam ao porto de Rio Grande mil caminhões por dia. O porto consegue absorver 600, o restante se acumula em longas filas no acostamento e por onde der, atrapalhando o trânsito e seguidamente causando acidentes.
O produtor economiza pelo menos 10% com transporte ao usar trem, mas faltam vagões, apenas um terço da produção de soja viaja pelos trilhos. E o que pode ser mais contraproducente do que carregar grão em caminhão? Basta ver como fica o acostamento das estradas em época de safra da soja, fica amarelo de ponta a ponta, com um rastro de grãos que vão sendo perdidos no caminho. Mas nós somos um país rico, podemos literalmente jogar comida fora. Detalhe, o grão ao ser molhado vira uma pasta altamente escorregadia, qualquer veículo que entre no acostamento e precise frear derrapa com certeza. Acostamento significa - local para onde normalmente os caminhoneiros nos “empurram” durante suas ultrapassagens.
Rio Grande também tem um dos maiores terminais de containeres do país, e a comparação é a mesma, enquanto um caminhão leva um container, uma composição levaria facilmente uma centena.
Existe luz no fim do túnel?
Cogita-se agora a criação da Ferrosul, que seria uma ferrovia com várias ramificações, ligando o porto de Rio Grande a regiões como a fronteira Oeste do Estado, criando ramos para países vizinhos e em direção norte atingindo até Mato Grosso do Sul e São Paulo. Tomara que saia do papel.

E o transporte de passageiros? Imagine trocar 4 horas de estrada entre Rio Grande e Porto Alegre, com direito a pedágios, muitos buracos e caminhões nos jogando pro acostamento, por uma viagem de 2 horas a bordo de um trem muito mais confortável, que levaria mais gente, poluiria menos e provavelmente seria mais barato.
Fomos na contramão, enquanto outros países seguiram investindo em ferrovias, o Brasil a partir da década de 50 considerou que trilho era coisa do passado, o futuro é o asfalto, “o petróleo é nosso”, e foi sistematicamente desativando toda malha ferroviária entre as décadas de 50 e 80. Dos anos 90 pra cá as estações de trem Brasil afora ou foram destruídas ou viraram algum tipo de museu.
Em toda Europa usa-se trem pra transporte dentro da cidade, entre cidades e entre países. Na China, 80 sistemas de metrô estão sendo construídos atualmente. Não somos chineses, mas quantos metrôs estão em construção atualmente no Brasil?
Claro que muitos reclamam do impacto social que isso causaria, e existe um interesse comercial gigante em volta do caminhão, mas não é uma mudança da noite pro dia, e no longo prazo seria um benefício coletivo (menos acidentes, menos poluição, menos engarrafamentos, estradas mais bem conservadas, etc.). E todos os setores se adaptam com o progresso. Quem vendia discos começou a vender cd’s e hoje com o MP3 está indo à falência, a injeção eletrônica acabou com os mecânicos experts em carburador, as tipografias viraram parques de impressão laser. O sujeito que consertava máquinas de escrever morreu de fome, o cinema sofreu com o vídeo cassete, que virou DVD e que agora sofre com a pirataria, vender filme fotográfico também não dá mais dinheiro e por aí vai. O que não dá pra engolir é seguir com a coisa do jeito que está só porque é cômodo ou porque a mudança afetaria muitas pessoas. É preciso ver quantas perderiam e quantas ganhariam com isso.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mais Saúde!!!
Essa era a manchete na capa do jornal Zero Hora do dia 1º de abril, seguida da frase: "IBGE revela que a população está se hospitalizando menos, por estar incorporando na rotina exames e hábitos saudáveis". Na versão online da matéria, a chamada era melhor ainda: MAIS PREVENÇÃO - Como está a saúde do brasileiro.
Ao ler eu pensei, que bom, pra mim hábitos saudáveis significam - exercício físico, alimentar-se corretamente, não fumar e consumir álcool de forma racional, afinal são essas 4 coisas as grandes responsáveis pela maioria das mortes em todo mundo e pelas doenças crônicas que sobrecarregam o sistema de saúde. Mas fui ler a matéria na íntegra e percebi que não era bem assim.
Infelizmente o que foi avaliado (no período de 2003-2008) não tem nada a ver com alimentação, atividade física ou fumo. Apesar de a chamada levar a crer que estariam falando em prevenção, seguimos falando em curar o que já está doente.
Parece que as pessoas estão se hospitalizando menos de 2003 para 2008, porque estão usando mais postos de saúde ao invés dos hospitais, mas essa conclusão também é duvidosa, já que eles mostraram uma porcentagem que baixou de 8% para 7,4%. Sei lá se isso é relevante estatisticamente. Outro lado “positivo” é que as pessoas estão considerando o atendimento melhor hoje em dia. Em 2003, 86% considerou o atendimento muito bom/bom, e essa porcentagem subiu para 86,4% (essa diferença foi sensacional). Nem precisa entender de estatística pra ver que é uma melhora insignificante, até porque a quantidade que relatou serviço ruim/muito ruim aumentou em 0,5%.
E quais foram as coisas que aumentaram para dizer que as pessoas estão incorporando hábitos saudáveis? Fazer mamografia (46% - 62%), ter plano de saúde (30%-34%) e ir ao dentista (89%-92%). Ninguém discute que são atitudes maravilhosas, mas alguma delas aumenta nossa saúde? É relativo. Eu sempre tive resistência com o termo “preventivo” que aparece junto a alguns exames, porque na minha cabeça nenhum exame previne doença, o exame no máximo pode prevenir a evolução da mesma e nos dar um aviso a tempo de agirmos, mas a doença segue seu rumo natural independente de exames. Fazer exame de sangue todos os dias não baixa colesterol de ninguém, mas nos mostra que está alto e que devemos agir.
O que reduz a chance de adoecermos é combater os fatores de risco. Vejamos a mamografia que aumentou, que bom, mas o que está altamente associado ao câncer de mama? Genética, raça, envelhecimento e histórico familiar (que não podemos mexer), obesidade, alcoolismo, sedentarismo, dieta rica em gordura (que podemos mexer). Ou seja, a mamografia é necessária, mas para evitar a doença efetivamente o caminho é outro. Sabe quantas mamografias são necessárias para achar uma mulher com o problema? Centenas. Quer dizer, o impacto desse aumento nas mamografias pode ser muito pequeno na saúde da população porque, de todas as mulheres que fazem mamografia aproximadamente 0,5% apresentam resultado recomendando uma investigação mais específica. Não sou médico, nem tenho como ser contra um exame maravilhoso como a mamografia, só quero mostrar que a prevenção real é outra coisa.
Um indicativo de que não devo estar tão errado foi a porcentagem de pessoas referindo ter alguma doença crônica, tanto em 2003 quanto em 2008 38,4% dos gaúchos reportaram doenças crônicas, ou seja, apesar dos indicativos indiretos de melhora (mais medicalização), a doença continua lá, firme e forte porque hábitos saudáveis são aqueles citados no início do texto, e esses seguem inalterados (ou até pioraram).
É controverso, mas fornecer atendimento médico a mais pessoas não significa necessariamente aumentar a saúde delas, ensiná-las e incentivar hábitos realmente saudáveis é que poderia melhorar a saúde. Aí sim poderia ser que a porcentagem que interessa (gente que refere ser doente) realmente baixasse, mas ficar dizendo que estamos mais saudáveis porque temos mais plano de saúde é um absurdo.
Parabéns às ações do governo em desafogar os hospitais, facilitar o acesso aos exames, aumentar as equipes do PSF, etc. tudo coisa válida e necessária, mas infelizmente seguimos agindo na cura e não na prevenção.
Ao acabar de ler a matéria toda, reli a manchete de capa e percebi que realmente era bem adequada para a data: 1º de abril.

domingo, 21 de março de 2010

Endless Summer.
Esse é o nome de um filme no qual os surfistas passam todo tempo viajando em busca de ondas e sempre é verão onde eles estão. Pra quem tem dinheiro ou é surfista profissional, é possível viajar sempre atrás do verão. Bom, mas pra quem não é surfista profissional (nem todo mundo é), o verão tem um fim sempre. Mas eu não falo desse fim astronômico que sai nos jornais - "amanhã às 14:32 acaba o verão", o verão tem vários finais, depende de quem vive o verão. Pra mim, diferente das outras estações, o verão costuma ter marcos que indicam que a estação do sol deu lugar ao outono.
Para alguns o final do verão pode ser o fim do carnaval, a volta às aulas (colégio, faculdade e depois do colégio das crianças), o final do horário de verão (que sempre acaba muito cedo), o final oficial da temporada de veraneio (pra quem mora em praia), o final das férias e o consequente retorno ao trabalho, o retorno da casa de praia pra cidade, etc.
Durante alguns anos o verão acabava quando as aulas iniciavam e me lembro que numa época isso sempre batia com o Garota Verão (concurso de beleza aqui do RS), normalmente o concurso acontecia no fim de semana que antecedia a volta às aulas do colégio. Depois o concurso mudou um pouco de época, as minhas aulas do colégio deram espaço às minhas aulas na faculdade (primeiro como aluno depois como professor).
Mas eu poderia dizer que desde o final da década de 90, o que marca o final do meu verão é uma prova de natação, a Travessia a nado entre São José do Norte e Rio Grande. Coincidentemente, muitas vezes essa prova ocorreu no domingo anterior a volta às aulas na faculdade, esse ano não foi diferente. E posso dizer que agora meu verão acabou oficialmente. Pela primeira vez essa prova deixou de ser “caseira” e passou a ter a chancela da FGDA (Federação Gaúcha de Desportos Aquáticos), o que garantiu a presença dos melhores nadadores do estado e elevou muito o nível da prova.
São 3600 metros em linha reta, mas ninguém faz em linha reta e, portanto todos nadam mais do que isso. É uma prova que sempre surpreende porque a água pode ser salgada ou doce, quente ou fria, verde ou marrom e as correntes (pelo menos duas) mudam de intensidade e até de direção a qualquer momento, inclusive durante a prova.
Atravessei a nado o canal entre as 2 cidades pela 12ª vez, fazendo um dos meus piores tempos. Mas isso é um sinal de que existe justiça, afinal a cada ano estou menos jovem, tive muitas cãibras, as correntes esse ano estavam fortes, e eu também não estou no melhor do meu condicionamento.
Mas apesar do meu tempo, fico contente em ver que agora parece que essa prova realmente não morre mais. A maioria dos presentes hoje não sabe, mas essa prova iniciou em 1923, ficou parada muitos anos e foi resgatada em 1995 por Jaime Costa (já falecido, pai da nadadora Aline Costa que até hoje faz a prova). De lá pra cá apenas em 1999 a prova não foi feita por condições meteorológicas. Mesmo chegando atrás, é bom competir em casa e sinceramente o que me interessa é chegar vivo nessa prova. Já estou quase na fase de dizer pros primeiros colocados (que costumam ter menos de 17 anos) - “guri, tu me respeita hein, quando tu nasceu eu já fazia essa prova”. Falta pouco.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Guns & Skids - melhor do que esperava.
Quanto eu tinha banda de rock (1989-1994) bandas como Guns and Roses e Skid Row davam o norte às bandinhas de garagem como a minha. Já tinha assistido ao Skid Row em PoA, mas Guns nunca. Assistir às duas bandas (mesmo que só os vocalistas sejam os mesmos) juntas num único dia, e ainda por cima no meu aniversário, era algo que eu não poderia perder. Bueno, a jornada para assistir ao show iniciou saindo de casa após o almoço, chegada a PoA, janta e saímos (eu e minha irmã) do hotel pouco depois das 18h. Chegamos de volta ao hotel após o show 4:40 da manhã. Encarar essas indiadas de quase 11h não é tão difícil, mas fazer isso menos de 48 horas após ter feito um triathlon de mais de 5 horas é meio dolorido, e não recomendo a ninguém. (conheço outro maluco que fez isso, né Michel) Pra chegar ao show, tumultos de sempre, engarrafamento, Freeway parada, caminhar no acostamento da BR no escuro, filas quilométricas. A área VIP só ficava diferenciada perto do palco mesmo, até lá todo mundo era povão, e eu tenho pavor de povão. A programação era: 19h - Tequila Baby (no me gusta); 20h - Rosa Tatooada (já gostei, mas dá pra aguentar numa boa); 21h - Sebastian Bach/Skid Row (gosto tanto ou mais do que do Guns em si); 22h - Guns n’Roses (atração da noite). A área VIP é muito tranquila, dava pra sentar no chão e descansar, 20h estávamos em frente ao palco (uns 50m), e eu falei pra minha irmã e um amigo de show (roqueiro, aposentado do Banco do Brasil): vai demorar umas 2h ainda, os caras estão subindo refletor, não tem bateria montada nem microfone no lugar. Muitos operários no palco e começam os rumores “as bandas gaúchas não vão tocar mais por causa do atraso”. 22h um cara pega o microfone e avisa: o atraso é devido ao tornado que atingiu o RJ e destruiu material do palco e dos músicos, em 1h o show começa (mas qual show?). Das 22h até às 23h montaram mais 2 baterias no palco, e eu pensei - vamos ter pelo menos 3 shows. 23:20, chega uma notícia pelo Blackberry de um “vizinho” - Axl Rose visto no aeroporto do RJ há poucos minutos. O povo começa a vaiar, os técnicos de som cada vez mais apavorados, nisso sobe uma loira bunduda no palco e bota ordem nos operários, a galera grita “pelo menos tira roupa, porra”. Pouco depois das 23:30 o pessoal do Rosa sobe ao palco e é vaiado, fiquei com pena dos caras. O vocalista (enrolado na bandeira do RS) avisa: estamos aqui desde cedo, esperando, mas deu tudo errado, mesmo assim queremos tocar pra vocês. O nosso guitarrista foi embora indignado. Eles tocam 3 músicas em meio a aplausos e vaias, mas tocar com um músico a menos e sendo vaiado por muitos deve ser f@#%.
10 minutos de Rosa Tatooada, 20 minutos pra desmanchar o equipo deles e Sebastian Bach sobre ao palco, abrem com Slave to the Grind exatamente às 12:01, quando já era meu aniversário. A empolgação dele no palco segue a mesma desde a década de 90, a voz não é a mesma, mas sinceramente na época do auge dele vi shows em que ele estava bem pior do que ontem. Também não dá pra dizer que ele tá uma Barbie velha e gorda, ele segue com os mesmos trejeitos e aquela girada de microfone pelo fio. Ah, ele levou um tombo no palco, escorregou, mas levou numa boa. Tocaram por 1h15’ e deram ao público quase tudo que se esperava (In a darkened room, Youth gone wild, 18 & life, I remember you, Monkey Business, etc.) e uma meia dúzia de músicas da carreira solo dele. Durante o show ele explicou o atraso. Parte do palco foi destruída no RJ e inclusive instrumentos deles foram perdidos, ninguém se machucou, mas até instrumentos do pessoal do Guns eles tiveram que usar. Bom, essa é a versão oficial para o atraso todo. Tinha uma moça de origem “duvidosa” ao lado do palco, filmando o show, e o Sebastian vai até ela, dá um beijo na loca, leva ela até a frente do palco, ela filma ele em close, ele dá uns tapas na bunda dela, tasca outro beijo e manda ela embora. Notável a diferença na empolgação dos músicos do Sebastian ao tocar as músicas antigas do Skid Row, eles estavam muito mais motivados para tocar o material novo, do qual eles realmente fizeram parte. Até o final do show eu não sabia se era um baixista ou uma baixista. Sebastian encerra com Youth Gone Wild. Mas a essa altura (1:20 da manhã) o frio tava pegando e o cansaço então nem se fala. Eu já estava com as pernas cansadas da competição de domingo, em pé cansava, sentar no chão também, sola dos pés doendo, enfim não tenho mais idade pra isso, só de VIP mesmo. Tinha jantado às 5 da tarde, o que me mantinha em pé era ver o pessoal da pista, apertado contra a mureta e pensar que eles estavam ali imóveis desde as 4 da tarde. Eu pelo menos tinha chegado de noite, podia sentar no chão, ir ao banheiro tranquilo, etc. ao meu lado um grupo de 4 crianças (menos de 12 anos) com suas respectivas mães, todo mundo caindo de sono. Perto da 1:40 da manhã o palco se ilumina, telões acendem, fundo vermelho com direito a guitarrista no alto e guitarra de 2 braços (ambos com 6 cordas, mas o superior era fretless - quem sabe o que é isso, sabe, pra quem não sabe, não faz diferença) e eles abrem com a música Chinese Democracy (que dá nome à turnê e ao último disco) e emendam com aquele inconfundível delay distorcido em Si, mostrando que Welcome to the jungle estava iniciando o show pra valer. A qualidade do som do palco foi melhorando progressivamente, do primeiro pro terceiro show.
Bom, não vou descrever o show (deve ter um monte de blog por aí fazendo isso), mas apenas a minha impressão de músico/fã. Foram mais de 2 horas de show e nenhuma grande decepção musical (tanto no repertório quanto qualidade). Decepção mesmo só o atraso, mas isso foi um espetáculo à parte. Diferente das críticas que li anteriormente, o Axl, apesar de estar parecido com o Mickey Rourke depois da plástica, não está obeso e sem voz. Creio que depois do show de Brasília eles deram uma equalizada na voz dele, mas em algumas músicas dava uma reverberada que ficava muito estridente. A voz dele já é esganiçada e muitas vezes fica no limite do insuportável, talvez alguma coisa no eco da voz ou graves/agudos. Mas vi inúmeros shows dele (vídeo) e não dá pra dizer de jeito nenhum que ele tá acabado (o mesmo vale para o Sebastian). Com certeza, ele tá mais gordo, não rebola mais daquele jeito (who cares?) e não alcança os mesmos timbres. Mas diferente das críticas que li por aí, a minha crítica vai pra banda.
Eles fizeram uma jogada de marketing muito esperta. Com a saída do Slash, eles evitaram colocar a formação clássica de guitarristas (um solo e um base) porque inevitavelmente o guitarrista solo seria comparado ao Slash. Pra evitar isso, eles colocaram 3 guitarristas que fazem de tudo um pouco, dividindo assim a atenção do pessoal. A questão é que dos 3, apenas um parece ter encarnado o espírito do Gn’R, os outros dois parecem mais saídos de uma banda Emo e se eu visse uma foto acharia que são do Fresno ou algo similar. E a inclusão de músicas-solo dos 3 guitarristas mais desanimou do que agradou. O baixista faz o que tem que fazer e não fede nem cheira. E o baterista, apesar de ser um músico bom, não tem o mesmo peso que os dois anteriores tinham, principalmente Matt Sorum. Ele me pareceu um baterista de formação mais para pop/jaz do que para rock/metal, tecnicamente bom, mas faltava peso (punch) na marcação e nas viradas.
O show encerra com um bis de 3 músicas, e uma segunda volta ao palco para cantar parabéns para 2 gurias que estavam de aniversário, mostrando faixas e subiram ao palco. Bom, de certa forma posso dizer que o parabéns era pra mim também, mas mesmo que eu estivesse com uma faixa, acho difícil o Axl mandar os seguranças me subirem ao palco. Eu pelo menos nunca vi roqueiro pedir pra carregar homem pra cima de palco, e isso não muda seja o astro novo, velho, magro ou barrigudo, acho que eu não tinha chance mesmo. Próxima parada: Aerosmith (maio, SP).
Pinhal 2010 - Race Day.


Acordei 5:30, a chuva parou. Dormi muito bem, sem ansiedade. Ritual pré-competitivo normal (comer muito, beber muita água em cima, escovar os dentes, ir ao trono, conferir as coisas pela enésima vez, ir ao trono, protetor solar). Saí do hotel 7:25 e fui de bike até o local da prova, encontrei os guris já no check-in. Realmente não liberaram neoprene, a água estava a 24 graus.
Esse ano a prova contou com um fator que eu não tinha visto até hoje em Pinhal, o vento. Mas era vento mesmo, antes das 8 da manhã a lagoa já tinha onda e com o passar do dia só piorou. Por ser de Rio Grande e estar acostumado ao vento, eu queria vento, mas aquilo era sacanagem.
Largada tranquila, muita marola, cheguei na primeira boia uns 20 segundos após a dupla que liderava (Lucas Pretto e Frank Silvestrin). O trajeto mais longo entre as 2 boias estava horrível. O vento fazia ondas de até 30 cm e respirar olhando pra frente era certeza de “engolir” uma onda. Parei 3 vezes durante a natação para estalar minha coluna e mexer nos dedos do pé, como medida preventiva. Fiz um tempo ruim (33’), mas acho que todo mundo foi um pouco mais lento devido às ondas. Pelo que pude ver (pelos ciclistas que passei na estrada) saí em oitavo da água.
Na bike comecei devagar e já largamos contra o vento. Pela primeira vez nessa prova minha coluna não incomodou em nenhum momento. Normalmente eu fico com os glúteos empedrados ao iniciar o pedal em Pinhal, mas esse ano nada aconteceu. Fiz a primeira volta com média de 29 km/h e fui aumentando 0,5 km/h na média a cada volta. Finalizei os 90 km com média de 31,2 - com um tempo 7 minutos pior que a minha melhor marca na prova (quando fechei média de 32,4 km/h). Mas pelo meu estado físico, meu treinamento esse ano e levando em conta o vento (que me fazia pedalar a 20 km/h em alguns trechos), acho que fui muito bem.
No meio da segunda volta eu encontro o Humberto pedalando, ele tirou uma bike do ônibus e ficou pedalando no circuito com os competidores, não sei como a organização da prova não mandou ele sair, acho que nem se deram conta. Ele fez uns 50 km com os atletas.
Acertei a nutrição na bike, mesmo sem ter levado um “plano”, mas fui no feeling e acertei. Pela primeira vez fiz xixi pedalando (ai que nojo) e tomei um banho de água pra lavar as pernas e a bike onde respingou, tranquilasso.
Fiz a transição bike/run mais rápida até hoje em Pinhal (1’49”) e como sempre iniciei a prova caminhando pra acostumar. Andei 2 minutos e iniciei um trote lento. Já na primeira volta senti como estava e disse pra mim mesmo num tom amigável - “se tu fechar cada volta em 25’ tá bom”. Consegui fechar cada volta em 23’ 25”. No meio da segunda volta meu joelho direito começou a incomodar bastante (Banda íleo-tibial), lesão antiga que aparece quando corro muito ou quando corro após pedalar mais de 2 horas. Comecei a alternar trote com caminhada e alongamentos e peguei um Advil com o Franco, que é da elite mas esse ano estava só assistindo a prova e gritando com os conhecidos (ele acabou de fazer a Corrida Torres/Tramandaí - 86 km sozinho). Dos 3 que estavam estreando na distância, todos estão de parabéns, mas tenho que destacar o Michel, que pegou terceiro na categoria. Ele pedalou muito bem e me alcançou no início da corrida. Pensei que ele fosse passar voando por mim, mas comecei a trotar de forma mais regular e ele ficou um pouco pra trás (no final ele chegou 4 minutos depois de mim - excelente pelo tempo de triathlon que ele tem). Apesar de não estar no meu melhor condicionamento, eu tinha obrigação moral de ganhar dos novatos né, mas o Michel me deu um bafo na nuca legal. Lá pelo final da terceira volta a dor pelo menos parou de aumentar e permitiu que eu trotasse parando menos. E nessa prova, quando eu completei a terceira volta disse pra mim mesmo - “tchê, agora deu, acabou, é só chegar, nem que seja caminhando”. Mesmo com esses empecilhos e paradas, fiz meu segundo melhor tempo na corrida de Pinhal (apesar de parar várias vezes e caminhar muito, fechei média de 10,8 km/h). E com certeza a dificuldade do vento no ciclismo deu um desgaste extra nas pernas.
Mas fiquei muito feliz em cruzar a linha de chegada, independente do tempo. Fazendo uma média entre as 4 vezes anteriores que eu havia feito a prova, fiz um tempo melhor que o esperado.

Média 2004-2008: 5h 31 min.
Tempo total em 2010: 5h 28'51"

Parciais (melhores tempos até hoje entre parênteses)
Natação - 33'14" (28'17")
Transição swim/bike - 3'45" (2'53")
Ciclismo - 2h 53' (2h 46')
Transição bike/run - 1' 49" (melhor até hoje)
Corrida - 1h 57' (1h 48')

Ao final da prova fui pra tenda de alimentação e fiquei com o Humberto esperando os guris chegarem. O Franco veio me dizer que estava preocupado comigo porque eu estava desfigurado, disse que eu deveria comer mais sal na prova. Expliquei que eu estava meio magro porque a mulher me largou, aí ele mudou de expressão, fez uma cara de quem já passou por isso e disse: “ah bom, então meus parabéns por ter completado, não foi falta de sal”. Na volta, por uma questão de segurança, o Kiko voltou comigo e despachamos a bike dele no ônibus do Humberto. Infelizmente, esse ano não tivemos fotos da competição, apenas do antes e depois, já que o Humberto assistiu toda prova mas é analfabeto em termos de máquina fotográfica.
Agora parece que o Kiko entendeu a diferença entre um triathlon como esse e uma prova curta. Numa prova curta, quando chegamos muito atrás dá uma sensação de derrota, numa prova longa como essa, do primeiro ao último colocado a satisfação é a mesma. Não faz a mínima diferença se demorou 4, 5 ou 6 horas pra chegar. A vitória nessa situação, pra gente normal como a gente, é simplesmente chegar.
Sequelas da prova no dia seguinte: coxas doloridas, joelho esquerdo doendo um pouco, joelho direito doendo muito. Outras versões da mesma competição podem ser lidas nos Blogs do Kiko, Michel e Pablo. E toda função da competição e viagem fica muito mais fácil e legal quando temos parceiros como eles. E Punta guris, ano que vem?

Pinhal 2010, o quinto (dos infernos) - Pré-prova
Domingo passado completei meu quinto Meio Ironman de Pinhal (1.9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida). Pela primeira vez encarei essa competição viajando sozinho. O bom de viajar sozinho é que a gente pensa na vida, bota o som do carro bem alto e canta sem se preocupar com afinação. O lado ruim é que a gente pensa demais na vida e tem o perigo do sono, mas a viagem foi tranquila, queria sair de casa 9h e acabei saindo 9:13, mas isso não chegou a me irritar.
Saí de casa na sexta-feira e passei em PoA para uma consulta com quiropraxista. Após a consulta tomei o rumo de Pinhal. Pela primeira vez passei pelo túnel verde ao anoitecer, bem bonito.
Cheguei a Pinhal por volta das 18:30, o hotel (Navegantes), como era de se esperar é fraco, como de praxe nessa região, mas pelo menos esse ano estou sozinho, eu me preocupo mais quando estou com namorada, por causa do bem-estar dela. Nos hotéis dessa região sempre temos a impressão de que estamos invadindo a casa do dono do hotel porque é uma linha muito tênue entre onde acaba a casa dele e começa o hotel em si. O ventilador de teto tem 3 velocidades: parado, quase parado e muito barulhento. De vez em quando cai um floco de poeira que estava aglutinado numa das pás do ventilador. O disjuntor do meu quarto caiu em todos os banhos que tomei. Pior que no primeiro banho era de noite e me senti um herói por sair do banho todo ensaboado, tateando as paredes procurando algo que poderia ser uma caixa de luz e religuei a eletricidade do quarto.
Decidi que se nos próximos anos a prova de Punta for próxima a de Pinhal, optarei por ir para o Uruguai. A distância é quase a mesma, mas a estrutura da prova é muito superior e pode-se ficar num hotel de verdade.
19:51, o Humberto (ciclista) me liga pra dizer que está chegando aqui, está meio perdido entre Tramandaí e Cidreira, ele tinha que resolver umas coisas em PoA e resolveu vir de ônibus pra assistir e me dar uma força na competição, esse é parceiro.
O hotel tem um aviso estranho na porta “não nos responsabilizamos por pertences deixados no quarto”. O que isso quer dizer? Cada vez que saio do hotel tenho que colocar tudo no carro de volta?
Amanhã também chegam os conhecidos que farão a prova, o Kiko de Rio Grande e o Michel e Pablo de Pelotas. Vai ser o primeiro Meio Ironman deles, e vou pro quinto.
Na chegada a Pinhal eu vim pelo mesmo caminho que usamos no dia da prova, é estranho dirigir de novo por essa estrada e lembrar de cada detalhe do asfalto, tanto no trecho em que pedalamos quanto da corrida. Já dá um friozinho na barriga olhar pra lagoa, ver as curvas e os pontos de referência que usamos durante a prova a cada contagem de volta. Nesses 5 anos de Pinhal já foram quase 600 km pedalados e corridos nessa estrada.
Acho que dos 5 anos em Pinhal, esse ano é o que estou menos preparado para a Prova. Esse ano não pude treinar direito por lesão (já abandonei uma competição em dezembro por isso) e com minha separação recente tive um mês de fevereiro bem complicado, o que me consumiu uns 6-7 kg de massa muscular. Mas pelo menos estou bem leve e talvez por saber que não estou preparado, o nível de ansiedade é menor. E não estou com medo da prova. Com a experiência a gente vai mudando um pouco a cabeça sobre isso e espero conseguir encarar a prova como um longo treino.
Infelizmente, tenho a impressão que essa prova de Pinhal irá desaparecer do calendário. Esse ano foi notável o baixo número de atletas e muito provavelmente o motivo para isso seja o Half Punta, prova com a mesma distância realizada uma semana após Pinhal. Toda estrutura da prova em Punta chama mais atenção e é uma prova que existe há menos tempo que a de Pinhal, mas que já atrai quase 500 atletas de toda América do Sul. Ou seja, ou a data de Pinhal fica bem longe das provas de Punta ou ficará difícil manter a prova porque quando as 2 provas ficam perto uma da outra, é difícil “concorrer” com Punta del Este (natação na praia, roupa liberada, asfalto perfeito e com subida, congresso técnico e jantar no Conrad, todo glamour de Punta, etc.). E pra quem é casado, chegar pra mulher e dizer: “amor, que tal um fim de semana em Punta?” ela nem vai perguntar pra que. Já na prova de Pinhal não dá pra aplicar essa porque elas já sabem que se falar em Cidreira/Pinhal nessa época do ano significa indiada: ser forçada a acordar antes das 6h, mosquitos, hoteis esquisitos, andar pra lá e pra cá carregando cadeira de praia, máquina fotográfica debaixo de sol e outras dificuldades que os acompanhantes aguentam.
Na noite de sexta pra sábado custei a dormir. Estava com muito sono, mas os mosquitos incomodaram e demorei a achar uma velocidade no ventilador que conseguisse espantar os bichos, mas que não fizesse muito barulho. O hotel é fraco, mas tem umas vantagens logísticas como ser perto da competição e ter um freezer à disposição para as garrafas congeladas.
Peguei meu kit antes das 15h e enquanto estava arrumando as coisas os guris chegaram (Kiko, Michel e Pablo), fui com eles até a Lagoa da Rondinha. Abandonei a idéia de usar neoprene, tudo indica que eles não vão liberar roupa, portanto nem vou levá-la para a transição.
Agora são 17h e a bike está pronta e todo material da prova está separado. Vamos jantar os 4 com o Humberto, em Cidreira. Amanhã pretendo acordar no máximo 5:40. O hotel que ontem a essa hora tinha apenas o meu carro, agora está com uns 10 carros, tá um festival de homem depilado, nem estou me sentindo estranho andando pra lá e pra cá de pantufa velha e meia de compressão até o joelho. E mantive o look nazista até pra ir jantar, bermuda e meião até o joelho.
No sábado de noite começou uma chuva daquelas que não está com cara de parar tão cedo. Competir com chuva vai ser ruim. Antes de me deitar conferi todo material para amanhã (pneus da bike, comida na bike, material para corrida, etc.). A foto é uma miniatura de mim mesmo em Pinhal (2008), feita em epóxi.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Penso, logo... não traio (será?).
De maneira empírica eu já tinha deduzido isso apenas convivendo 36 anos com homens e compartilhando de suas confissões, geralmente carregadas de orgulho por ser “o cara”. Sempre que eu ouço esse tipo de coisa penso – bom enquanto estás lá com a outra, a tua mulher está com quem?
Recentemente uma pesquisa vinda de Londres (daquelas que gera mais polêmica do que impacto real sobre nossas vidas ou saúde) está sendo muito divulgada. Foi publicada no periódico Social Psychology Quarterly. Trata-se da conclusão de que homens mais inteligentes seriam menos propensos a traírem suas parceiras, valorizando mais a exclusividade sexual. Os ateus e os politicamente liberais também teriam o mesmo comportamento (mas falar em ateísmo é pecado). Não quer dizer que os que traem sejam burros, até porque chamar o Tiger Woods de burro não dá, mas a inteligência esteve associada a ser mais liberal, ser ateu e prezar pela exclusividade sexual (essa última apenas para os homens). O pesquisador principal da pesquisa, Satoshi Kanazawa, já participou de livros com títulos polêmicos e muito controversos como – “Por que homens apostam e mulheres compram sapatos” e “Por que pessoas bonitas têm mais filhas do que filhos”.
Ele cruzou dados de duas pesquisas norte-americanas, uma sobre inteligência e outra sobre comportamento. Mas alguns são contrários a essa conclusão e apresentam outro lado da moeda – homens mais inteligentes mentiriam mais para proteger sua relação, o que não pode ser ignorado completamente. Até porque nos USA é enorme o número de mulheres que contratam detetives (que poderiam se disfarçar de pesquisadores) para investigar seus maridos, e se o cara é esperto fica com um pé atrás... Já entre as mulheres não existe qualquer associação, elas traem independente de QI.
Homens e mulheres costumam trair por motivos completamente distintos. Pelo menos foi o que eu aprendi na escola. Homens traem por atração física e basta um sorriso para ele achar que sua presa está disponível. Já as mulheres são muito mais complexas (claro) e suas traições costumam englobar motivos como vingança, ter sido “esquecida” pelo marido e por realmente se apaixonar por outra pessoa. Para elas geralmente existe (ou existia) sentimento e romantismo, para os homens que traem é preciso existir...uma mulher disponível. Frase muito dita pelos traidores – “eu faço isso, mas gosto mesmo é da minha mulher, nem penso em largar dela”. Já elas dificilmente diriam a mesma coisa, quando chegam a trair geralmente não morrem mais de amor pelos seus companheiros.
Uma explicação para o comportamento dos homens mais inteligentes seria o aspecto “evolutivo”. Como disse a Martha Medeiros: “os mais inteligentes se deram conta que mais vale ter uma mulher incrível ao seu lado do que uma coleção de casos, e que a fidelidade pode ser um bom investimento no logo prazo”. As mulheres antigamente viviam à sombra de seus homens e eram obrigadas e incentivadas pela sociedade a aceitarem a traição numa boa, como algo que faz parte da relação – “isso é coisa de homem e pronto, a mulher tem que saber perdoar e entender”. Faltavam a elas oportunidades e até meios de sobrevivência fora do casamento. Permanecer solteira depois dos 30 era o fim do mundo e ser desquitada era pior ainda, ou seja, a mulher precisava se agarrar a um homem logo e matar no peito o que fosse preciso porque não se casar ou largar um casamento resultava em marginalização. Hoje a coisa mudou e as mulheres que, em sua maioria trabalham, e têm um pouco de amor próprio, aprenderam que podem cair fora sempre que a união não for mais o que elas desejam. Outro aspecto é que antigamente uma mulher, mãe de família com 45 anos era simplesmente uma mãe, deixava de ser mulher aos olhos da sociedade e de muitos homens. Hoje em dia as mulheres de 40, 45, 50 anos, com ou sem filhos ainda estão “no mercado” e em condições de abrir concorrência pública com muitas de 30 anos. Ou seja, se o homem não dá atenção à ela, se trai e é descoberto, a chance dele ser mandado embora é grande e a mulher sabe que só ficará sozinha se quiser, ela não precisa mais ser submissa e fazer de conta que não vê. Hoje ela pode ficar sozinha ou partir pra outra sem ser recriminada. Quem sabe em breve saia outra pesquisa na mesma linha, dessa vez mostrando que os mais inteligentes e ateus são melhores na cama. Mas pra saber isso, teriam que perguntar para as mulheres, e em mulher não dá pra confiar.