Mr. Domingues

Sempre ouvi que escrevo demais, e-mails longos, cartas intermináveis para namoradas, nunca consegui usar Post-it, enfim, bem ou mal eu gosto de escrever. A intenção é que isso aqui sirva como uma "descarga mental" onde comento fatos, acontecimentos e pensamentos, na verdade, tudo que me der vontade. Sabe quando se vê um filme, lê um livro ou algo no jornal e ficamos com vontade de discutir com alguém sobre o assunto? É pra isso que esse espaço serve, assim eu incomodo menos quem está à minha volta e começo a incomodar anônimos internet afora que queiram ser incomodados. Mas é claro que não vou fugir muito dos meus hobbies, interesses pessoais e profissionais, como saúde, atividade física, esporte, tecnologia e música.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

De pai pra filho

Recentemente uma amiga minha, bem jovem teve um diagnóstico de câncer. Ela foi pega de surpresa, teve um diagnóstico inicial relativamente demorado e praticamente quando descobriram a doença seu tratamento iniciou, sem muito tempo para ser melodramática nem ter choradeira, como ela mesma me disse - “pelo menos agora eu sei o que tenho. Vamos fazer o que tem que ser feito, depois a gente chora.”
Hoje tudo indica que ela conseguiu se livrar da doença (após uma série de cirurgias e muitas semanas hospitalizada). Pela rapidez da coisa toda, ela não teve tempo para “despedidas”, mas felizmente elas não foram necessárias. Se as coisas seguirem no rumo que estão, com certeza ela terá tempo de ver seus dois filhos crescerem, e digamos que ela morrerá “na hora certa”.
Em alguns casos dessa doença, as pessoas têm tempo para despedidas, o que torna o processo de certa forma mais doloroso pela certeza de que alguém vai embora, mas pode criar situações bastante curiosas, como essa notícia que li uns tempos atrás:

Kate Greene havia sido diagnosticada com câncer de mama e deixou uma lista com cerca de 100 coisas que o pai deve fazer com os filhos, para garantir que eles tenham a experiência que ela sempre sonhou para a família e serão criados como ela planejava.
Entre as recomendações para os filhos de 4 e 6 anos, estavam coisas específicas, como visitar a praia onde ela passava férias quando criança, ou assistir um jogo internacional de rúgbi. Kate ainda pediu ao marido, que levasse os filhos à Suíça, para mostrar o local onde ele a pediu em casamento.
A mãe ainda decretou que a família deveria ter uma mesa de jantar, para que todos estejam juntos durante as refeições em sua casa, e que o marido deveria ajudar as crianças a plantar um girassol, encontrar um trevo de quatro folhas e aprender a tocar um instrumento musical.
Ela ainda descreveu os valores que ela queria ensinar aos meninos, como ser pontuais, fazer as pazes logo quando brigassem com alguém e tratar as namoradas com respeito. A lista ainda inclui coisas que a mãe não queria que os filhos fizessem, como andar de moto, fumar ou entrar para o exército.
O pai conta que planeja realizar todos os desejos da lista, já que, de alguma forma, as orientações significam ainda uma ligação emocional com Kate.
O desejo mais difícil de ser cumprido será encontrar uma outra companheira, para que os filhos cresçam com uma influência feminina. "Já encontrei minha alma gêmea, e voltar ao mercado é uma coisa muito difícil".


Todos os pais e mães sabem que, se a natureza for no rumo certo, eles morrerão antes de seus filhos. Todos planejam coisas para seus filhos a partir do momento em que se descobre a gravidez. Uma lista como essa na verdade deveria ser obrigatória.
E isso me lembra o meu pai que, desde que eu tinha uns 4 anos costumava iniciar as frases educativas assim: “aprende comigo enquanto estou vivo, porque tu sabes que eu vou morrer antes de ti”. Eu no início perguntava por que ele falava assim, e ele sempre dizia - porque é o certo, pais morrem antes dos filhos, se tu morresse antes de mim é que ia estar errado. Isso não é uma coisa muito legal de se dizer para uma criança, mas pelo menos era verdade E às vezes eu perguntava - mas a gente não pode morrer junto, assim eu não fico triste?
Depois dessa introdução ele dava “a aula” que poderia ir desde a explicação para o formato de determinada folha numa planta até contar um trecho da infância do Mozart, passando por algum assunto na área da aviação ou explicar o que era a aurora boreal. Ir à feira ou ao mercado público com ele era como assistir a um documentário do National Geographic. E isso para uma criança é tão estimulante quanto um caderno de caligrafia. Mas com o tempo eu comecei a perceber que tinha coisa legal no que ele me ensinava.
Quando o tempo passou um pouco mais e eu estava na pré-adolescência, ele iniciava as aulas por - “acho que eu já te expliquei porque os...” e antes que ele completasse a sentença eu retrucava meio irritado “já pai, tu já falou isso, que saco”. Ele claro ficava desapontado e com aquele sentimento - acho que já ensinei tudo que podia pra ele.
Alguns anos mais se passaram e quando ele iniciava as explicações (sobre algo que eu já ouvira centenas de vezes) eu deixava ele seguir, e às vezes até fingia que estava maravilhado com a novidade. Pronto, ele voltava a se sentir no papel de pai. E quando ele ficou velho mesmo ele me chamava para “ensinar” algo e ele mesmo já dizia - “sei que já te expliquei isso, mas ...”. E eu, agora adulto, ouvia-o com calma porque entendia perfeitamente que ele estava apenas tentando aproveitar um restinho mais da sua função de pai que é: não ir embora do mundo antes de ter ensinado tudo que pode para os seus filhos (no caso dele, 6 filhos).
Eu não tenho filhos, não sei se terei algum dia, não depende só de mim, mas tenho certeza que serei um “professor” tão chato quanto meu pai foi. E achei bem interessante a ideia de fazer uma lista de “coisas imperdíveis” para deixar à próxima geração. Mesmo sabendo que muitas coisas não receberiam a merecida importância, porque o que é importante pra mim pode não ser para outra pessoa e pela passagem do tempo mesmo. Mas pelo menos para eles verem as experiências que eu algum dia julguei importantes de se viver. Coisas como acampar na praia e assistir ao nascer do sol de dentro da água (de preferência surfando), assistir a um show da sua banda favorita com um grupo de amigos e ficar sem voz por 2 dias, definitivamente aprender algum instrumento musical que possa produzir música reconhecível (bateria não vale nesse quesito), fazer pelo menos uma viagem de bicicleta com 3-4 amigos escolhidos a dedo, plantar uma árvore e tirar fotos periodicamente ao lado dela pra ver o crescimento de ambos. Bom, tenho tempo pra escrever a minha lista.

A propósito, o sujeito vestido de Batman à direita na foto sou eu e o da esquerda era o meu "professor".

sexta-feira, 15 de abril de 2011

You too? Me too



Previsão de chuva pro show do U2, medo de ficar longe do palco, tomar um banho e não ver direito. A banda promete que o palco 360 graus (que parece uma aranha de 4 patas) permite que todos assistam tudo com suas passarelas que andam, bateria que gira, telão de LED 360 graus, etc., mas eu estou (mal) acostumado com área VIP, na cara dos músicos. Só que colado no palco do U2, além de impossível conseguir comprar, custava mil reais. Outro detalhe, com o show à parte que é a iluminação do palco, quem fica na Red Zone (vip) fica de cara com o Bono, mas perde bastante do efeito visual do palco. (ok, meio desculpa de quem não ficou colado no palco). Comprei ingressos para “arquibancada vermelha especial” do Morumbi porque foi o que deu pra conseguir. A procura por esse show foi tanta que seria apenas um show no Brasil, mas resolveram fazer 3. E o site (que aguentou numa boa a venda do show do Paul McCartney), ficou completamente congestionado, os 3 shows esgotaram. Não choveu como previsto, noite estrelada. Eu poderia ser esperto e parar o post por aqui dizendo que o show é indescritível e que nenhuma foto ou vídeo consegue mostrar o que é a coisa ao vivo, mas..... Já ao entrar no estádio (20:00) e me deparar com aquela enorme estrutura foi impactante, a impressão é de se estar no set de filmagem de uma ficção científica. Fui com a minha irmã e nos sentamos ao lado de um casal de mineiros que chegaram ao estádio às 16h (fizeram bate-volta BH-SP-BH, sem pausa pra banho/dormir). Existiam 2 tipos de banheiro no Morumbi: feminino e unisex. Devido ao grande número de mulheres e ao tempo maior que elas levam, a fila do feminino era infinita. Aí fizeram o seguinte: entrava um grupo de 20 mulheres no banheiro dos homens, depois que elas saíam, entrava um grupo de homens e iam alternando. Mas claro que a sincronia não era perfeita, ou seja, acabou que no lado dos homens o negócio virou unisex, com as gurias usando os vasos e os homens os mictórios em pé. Abertura da banda Muse. Interessante o som dos caras, mas não dá pra digerir assim na primeira ouvida. Achei uma mistura de New Order - Radiohead - Rage Against the Machine (se é que isso é possível). Eu não conhecia a banda, mas entre os 89 mil presentes tinham vários fãs da Muse. Às 21:40 os 4 irlandeses aparecem sem muito glamour, com as luzes acesas e se posicionam nos seus lugares para um show de 2h15. Mais uma vez eu me esqueci de levar algodão pros meus ouvidos. Quando tinha banda eu ficava com os ouvidos zumbindo após ensaios e fico assim após shows também. Se botar algodão no ouvido não fica zumbido e dá uma filtrada no som. O meu ouvido esquerdo já não é o bicho porque eu ensaiava de lado pra bateria. (lembrando que sempre que ficamos com ouvido zumbindo é sinal de que ouve prejuízo irrecuperável à audição). Por falar em som, o único ponto que eu melhoraria no show era a qualidade do som. Os auto-falantes principais ficam pendurados na volta da estrutura, tinha volume, mas o som poderia ser melhor. Falta algo para funcionar como concha acústica. Por falar em som, sempre que vou ao Morumbi penso - como fica o hospital (Albert Einstein, ao lado do Morumbi) num dia de show? Eu penso em alguém que esteja se recuperando, com dor, tomando algum remédio pra tentar dormir. Não levei máquina fotográfica porque sabia que não conseguiria fazer fotos muito boas e com certeza esse show é o que mais tem fotos/vídeos na internet, se botar “U2 360” no Utube ou Google Images vem uma infinidade de coisas. Além disso, o Bono disse que esse show seria filmado e recomendou que o pessoal baixasse pra guardar de lembrança. Nos anos 80 a gente alugava VHS em locadora e ia pra casa de alguém, juntava dois vídeo-cassetes e pirateava as fitas pra ver 150 vezes a mesma coisa. Geralmente vídeos de shows e surf (com som horrível e imagem cheia de chuvisco). Eu lembro de adorar ver incontáveis vezes aquele vídeo Rattle & Hum (1988) e minha música favorita era "Where the streets have no name", com aquela iluminação vermelha e o Delay interminável da guitarra do Edge entrando devagarinho. E ali estava eu, 20 e poucos anos mais tarde, assistindo aquela cena ao vivo, com a mesma iluminação vermelha, todo arrepiado e me perguntando - como é que esses caras conseguem fazer isso por tanto tempo? É tipo: “Sir Paul McCartney, como o senhor ainda consegue ter vontade pra sentar ao piano e cantar Let it be?” Músicas dispensáveis do show: a participação do Seu Jorge cantando em inglês uma música do Kraftwerk em ritmo de bossanova foi totalmente fora de contexto, também não me agradaram "Even Better Than The Real Thing" (numa versão quase irreconhecível), "Miss Sarajevo" e "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me". Momentos legais que marcaram o show: o Bono pega uma guria da plateia, senta com ela e mostra um texto, ela começa a ler e percebi que era a primeira estrofe de “Beautiful Day”, mas em português. Antigamente o Bono fazia um discurso sobre “crianças africanas - AIDS - fome - anistia” antes da música “One”, agora o discurso dele foi abolido e antes da “One” eles projetam nos Leds uma fala bem breve e interessante do Prêmio Nobel Desmond Tutu, aí quando entrou o primeiro acorde o mineiro que tava do meu lado com a namorada falou - “nóóó, tô repiado” (em Minas Gerais eles falam nóóó ao invés de nossa).

Durante a música “City of blinding lights” canhões de luz são apontados pára o céu e o facho vai muito alto. A impressão é que a luz não tem fim (mais alto que o chamado pro Batman), mas em termos de iluminação o mais legal foi na “With or without you” quando o palco fica escuro (azul) e surge uma mirrorbal (aquelas bolas de vidro das discotecas) no alto da “aranha”. A bola gira e todo estádio fica na penumbra, apenas com aquela luz giratória e uma quantidade absurda de luzes na plateia dos celulares e câmeras. Além dessas citadas, outras músicas que completaram a noite e que não podem faltar em shows do U2: I will follow, I still haven't found what I'm looking for, Pride (In the name of Love), Sunday Bloody Sunday, Walk On e All I want is you (só o início pra dar a deixa para a Where the streets....).
O telão circular de LED assume 3 posições: no alto fechado, embaixo fechado ou aberto engolindo a banda (não deu pra entender né), depois eu li que são 1300 metros quadrados de tela, resolução de 500 mil pixels. O palco de 46 metros de altura é tão grande e complexo que eles têm 3 cópias de algumas partes para acelerar a montagem de uma cidade pra outra. Se não fosse assim demoraria mais de uma semana para ir de um local pro outro. A banda segue a mesma coisa, até porque musicalmente o U2 não é uma banda de alta técnica musical, suas músicas são extremamente simples, muito mais embasadas em melodia do que em técnica. A voz do The Edge nos backing vocals segue na medida exata e a voz do Bono ficou prejudicada em alguns momentos (minha opinião) por causa da qualidade dos auto-falantes. Não que fosse ruim o som, mas digamos que o visual é imensamente superior à qualidade do som que o palco gera. Cheguei a pensar se não poderia ter sido algum prejuízo devido às chuvas dos dias anteriores. Mas não quero dizer que o som era ruim, é que eu esperava a perfeição sonora similar ao show visual. Não vou comparar porque são artes diferentes, nunca vi o Cirque Du Soleil ao vivo, mas penso que esse palco do U2 gera um tipo de espetáculo como o Cirque no sentido de que é algo que a gente pode até ver pela TV, mas não tem como explicar, tem que ver ao vivo. O tamanho das coisas e a intensidade da iluminação somada ao impacto das músicas que a gente ouve há mais de 20 anos cria um ambiente muito marcante. Não é à toa que a imprensa mundial chama essa turnê de “O maior espetáculo da terra”. Além de todas as fotos que usei no post, e independente de gostar ou não da banda, este vídeo mostra um pouco da grandiosidade que é esse show:

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Os Iosbor


Demorei para colocar algo sobre esse show aqui, mas foi falta de tempo mesmo.
A primeira vez que ouvi falar do Ozzy foi no Rock in Rio 1. No ano do Rock in Rio 1 eu tinha quase 11 anos e lembro de ouvir a propaganda dos shows internacionais: Iron Maiden, Nina Hagen, James Talylor, Queen, Ozzy Osbourne... e na minha cabeça eu entendia que era uma banda chamada “Os Iosbor”. Depois fiquei sabendo que ele era “o cara que comeu morcego no palco”. Mas só comecei a ouvir Ozzy em 1991, por influência de amigos que eram fãs do Black Sabbath (banda da qual nunca fui fã). Meu primeiro contato com ele foi no disco No More Tears (que teve um baita impacto na MTV na época) e depois disso descobri algumas coisas mais antigas (discos Blizzard of Ozz e o Bark at the Moon) e acompanhei o lançamento de coisas novas dele que considero muito boas, principalmente o disco duplo ao vivo Live & Loud.
Quando comprei os ingressos pro show do Ozzy com bastante antecedência, a preocupação era – será que ele ainda vai estar vivo no dia do show e vai se lembrar de ir até o local? Recentemente vi uma entrevista com ele e o que ele mais repetia era – “não me lembro”, seguido de uma risada estranha.
No dia do show mesmo, a preocupação era outra. Noite de show no Gigantinho e jogo da Copa Libertadores (eu acho) no estádio ao lado (Beira-rio, né?). Previsão de caos total no trânsito em Porto Alegre. Mas nenhum dos medos se concretizou, ida e volta do show super tranquilas e o Ozzy se lembrou de ir ao show.
Vários conhecidos estariam lá, mas não encontrei ninguém esperado e pra minha surpresa, assim que entrei no local dei de cara com meu tio (irmão da minha mãe) que brinca de músico também e foi um dos que me ensinou o pouco que sei de guitarra, isso lá nos idos de 80 e poucos.
Não vi o show de abertura da banda gaúcha Gunport, meu tio gostou. Esperei apenas 20 minutos e o show do Ozzy iniciou com “Bark at the moon”, na verdade começou um pouquinho adiantado, raridade no mundo do rock. Detalhe pra decoração do ginásio – morceguinhos roxos da Oi pendurados de cabeça pra baixo no teto.
O meu show ideal do Ozzy teria por volta de 25 músicas e um pouco mais de 2h de duração, mas me contentei com as 15 músicas apresentadas, até porque o veinho não aguentaria mais de 2h de show com qualidade. De qualquer forma ele tocou várias do meu disco favorito (No more tears) e em nenhum momento do show ele demonstrou estar gagá, como algumas pessoas temiam. Ele simplesmente é louco, mas isso é a base da fama dele. E o cara usa uma mangueira com espuma pra molhar o público e ele mesmo, depois enfia a cara num balde com água e encara o pessoal com uma cara de alucinado feliz. E o meu tio dizia – esse louco tá encharcando tudo, daqui a pouco toma um choque. O andar do Ozzy é similar ao de algum personagem de filme de terror e a agitação durante todo o show se resume a uma movimentação de braços como se estivesse fazendo polichinelos sem sair do chão, gritando “go fucking crazy”, mas a postura do cara mostra claramente que o corpo tá bastante sofrido pelos 62 anos de “uso indevido”. Apesar disso, a voz (que falha de vez em quando) continua com aquele som inconfundível. Eu nunca vi nem ouvi falar de um cover do Ozzy.
Uma hora de show e ele sai de cena pra descansar. A banda (gurizada boa) toca uma instrumental do Black Sabbath (ao total foram 5 músicas do tempo de Black Sabbath durante o show). Impressionante o peso da bateria da banda, e claro que pra estar ao lado do Ozzy, o guitarrista tem que ser um cavalo, já que até hoje ele só tocou com guitarristas fenomenais (apesar de todo lado histórico, eu prefiro o Zakk Wilde do que o Randy Rhoads). A banda é simples: baixo, guitarra solo, bateria e um tecladista que em algumas músicas fazia guitarra base.
Gauchada, dentro do ginásio de um time e em dia de jogo.... atiraram 3 bandeiras pro Ozzy durante o show (RS, Grêmio e Internacional), em 2 ele se enrolou, desprezando apenas a bandeira colorada. Óbvio que ele ignorava o significado de todas as 3.
Mas em suma o show de 1h40 estava bom e enquanto o Ozzy tava no palco ele deu ao público o que a gente queria. Para o meu gosto de Ozzy, as melhores músicas do show foram: Bark at the Moon, Mr. Crowley, Road to Nowhere (que eu filmei toda), War Pigs, Shot in the Dark, I Don´t Want to Change the World, Crazy Train – e no bis: Mama, I´m Coming Home e Paranoid pra encerrar. Apenas uma música nova (Let me hear you scream), no setlist, e não pude evitar o pensamento – ele deve cantar as mais antigas por 2 motivos: é o que o pessoal quer ouvir e com a confusão mental que deve ser a cabeça do Ozzy, ele não deve memorizar coisas novas.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Half Punta - 2011


Depois de umas 3 tentativas em fazer o Meio Ironman de Punta del Este finalmente consegui ir. Em anos anteriores cheguei a me inscrever e reservar hotel, mas tive problemas de saúde, falta de tempo ou de dinheiro. A viagem foi tranquila e tive a companhia de outros 2 triatletas, o Michel e a Aline que dividiram despesas, risadas, comida e muitas fotos. Eles, apesar de triatletas, não foram competir por razões diferentes, ele com uma lesão crônica no joelho não consegue correr mais de 10km e ela porque está engatinhando no triathlon e ainda é cedo para um meio ironman.
Paradinha no Chuy pra pequenas compras e almoço e o Michel comprou o que iria lhe acompanhar por toda viagem e rolava de um lado pro outro dentro do carro - um travesseiro de M&M’s. Já de saída uma coisa inusitada e um aviso a quem não sabe. Para entrar no Uruguai a policia exige identidade, mas eles não aceitam a nossa carteira de motorista. Eu tinha identidade normal, carteira de motorista e a carta verde para andar com o carro no Uruguai. O Michel só tinha carteira de motorista (sifu) e a Aline tinha a de motorista e uma identidade de quando ela tinha uns 12 anos (sifu também). A foto dela é tão antiga que eu nem conhecia ela na época. Eu poderia entrar no país, mas eles não. Teriam que ir a Santa Vitória fazer uma documentação. Nisso, um motorista de ônibus que estava perto disse rindo - “ele tá se fazendo, quer dinheiro, bota 30 pila no bolso e vai conversar com ele, mas não leva mais porque ele vai querer tudo que tiveres no bolso”. Ao mesmo tempo o ônibus dos triatletas de PoA estava na aduana e o Alex Azambuja estava com a papelada de todos. Nenhuma encrenca pra eles. Até que o policial chama o Michel pra trás do balcão e diz que dessa vez vai nos dar uma força (mui amigo), mas pede que a gente deixe uma gorjetinha pra cerveja. Suborno declarado na fronteira e 90 reais depois nós entramos regularmente no país vizinho. Aí eu fiquei pensando, quantos brasileiros tentam entrar no Uruguai diariamente e só levam a carteira de motorista? Os policiais devem viver bêbados de tanta cerveja. Dia perfeito pra viajar. A Aline dirigiu o tempo todo e eu trabalhei no computador no banco de trás. Chegando a Punta fomos a 3 lojas de material esportivo e o Michel comprou um wetsuit, mas com certo suspense porque ele não sabia a senha do cartão. As funcionárias da loja não entendiam muito bem quando eu falei que esse era o problema desses cartões achados na rua, a gente vai tentando senhas até bloquearem. Mas para sorte dele, em crédito internacional só pedem assinatura e não pedem senha. As atendentes só acharam estanho quando ele passou o cartão deu tudo certo e nós comemoramos. No shopping tiramos uma foto com um boneco do Justin Bieber em tamanho natural. As guriazinhas na volta não devem ter entendido. Ficamos num hotel perto dos 2 lados das praias (Brava e Mansa). Jantamos numa pizzaria onde tenho certeza que as pizzas são feitas com maçarico porque o pão é mole, nem um pouco queimado, e somente o queijo está derretido por cima. Programa perfeito antes de dormir para desestressar - assistir South Park e Bob Esponja em espanhol. No dia seguinte tinha congresso técnico, retirada do kit e almoço dos atletas. No almoço dividimos mesa com o Diego Ciani, triatleta argentino de 52 anos que viu o Oscar Galindez gurizinho iniciando. Na verdade ele hoje pertence a um programa solidário do Galindez que dá auxílio técnico e material para triatletas. Gente fina, só tem aquela mania de argentino de ficar beijando a gente, mas tudo bem. O tio de 52 anos chegou antes de mim. Adoro ver gente mais velha do que eu me ganhando. Me passa uma sensação de que ainda tenho muito pela frente. No almoço finalmente encontramos com o Pablo de Pelotas. Toda função do evento foi no Cassino Conrad que tem aquele ar de filme, com limusine na porta muito mármore, muito luxo e muita gente velha de muleta, andador e aparelho de surdez gastando tudo que conseguiu juntar durante a vida (antes que algum parente gaste). Curiosidade do almoço servido no Conrad para os atletas - sobremesas lindas, muita massa, saladas, mas apenas um tipo de carne: camarão. Em 2 tipos de preparo, mas não tinha escapatória, a única carne no almoço era camarão gigante. Adorei, mas pensei em quem tem alergia ou não gosta. Fui solidário com essas pessoas, e em homenagem a eles fiz um minuto de silêncio e logo em seguida comi camarão até me dar dor de cabeça. O Michel e a Aline foram usar a casa de Câmbio do Cassino e de troco deram pra eles tickets pra jogar - eles perderam 2 dólares apenas em 40 segundos de pura diversão e adrenalina. Além desses afazeres do evento, demos uma de turista - passeios de carro e a pé (meus companheiros de viagem pareciam não entender que na véspera de um ½ Ironman a gente não tem muita vontade de caminhar, mas a gente vai na parceria). Também conhecemos a estrada em que seria o pedal (asfalto maravilhoso, mas um sobe e desce desgraçado). Nesse dia o mar estava perfeito para natação e encontramos um pessoal de PoA dando uma soltada na água. No trajeto do ciclismo, na véspera da prova, já tinha uma barraca de vender material esportivo. À tardinha eu peguei minha cruz (notebook) pra trabalhar um pouco enquanto o Michel foi dar uma corrida e a Aline saiu pra caminhar e fazer fotos artísticas no porto de Punta (pôr do sol, leões marinhos, etc.). Preparação da bike pro dia seguinte, última revisada em tudo, 30 minutos de piscina térmica pra aquecer antes de dar uma alongada e fomos jantar. O Michel é um connoisseur de junk food e deixamos ele nos guiar pelo mundo da gordura saturada. Comi uma coisa que não comia desde o lançamento do Windows 3.11 - batata frita. Fomos num lugar comer Chivitos (um bauru pequeno demais para o recheio todo e que vem com batata frita). Não morri como previsto por Nostradamus. Manhã da prova, rotina de sempre, engolir comida sem sentir direito o gosto, quarto escuro pra não acordar os outros (nessas horas é incrível como sacos plásticos fazem barulho, tem que ter uma explicação acústica pra isso). Ir ao troninho 2-3 vezes e checar as coisas pela enésima vez. Mesmo no hotel já dava pra ouvir que o vento tava forte. Chegando ao local da prova vem a notícia do Pablo: “vai ser duathlon. É sério”. O Sandro de PoA quando me viu já veio rindo - “adorasses a surpresa né?” A manhã estava muito ventosa e fria. Não tinham liberado a natação por causa do vento e da corrente que entrou com a frente fria. Eu olhando de fora achei que dava tranquilo, mas... los hermanos são mais ariscos pra água. E nessa hora pensei - se tá muito vento pra nadar, deve estar uma delícia pra pedalar. Não tinha como aquecer, pouco tempo e muito frio, estratégia mental de prova alterada em meio minuto de reflexão. Antes eu pretendia largar a 110% na água, pedalar forte e correr com o que sobrasse, mas é bem diferente iniciar a bike já tendo corrido, ainda mais num terreno estranho pra mim, com muita subida (um total de 10 escaladas no ciclismo).
Queria ter mudado o figurino também, mas não deu. A prova seria de 5,4km de corrida, 86km de bike e 21 km de corrida. Larguei com o Pablo e concordamos que iríamos fazer um trote entre amigos só pra aquecer porque sabíamos o que vinha depois. O ritmo tava tão calmo que conversamos o tempo todo, saímos juntos da transição com as bikes. O ciclismo foi algo à parte, existiam locais em que o vento dificultava e locais em que a subida dificultava, entre uma coisa e outra eu curtia a paisagem que é o que tem de melhor nessa prova. Pra quem conhece Punta, o ciclismo é nos morros de Punta Ballena, passando pela entrada do ponto turístico Casa Pueblo, tudo feito numa estrada à beira-mar. Depois de largar a bicicleta a gente tem que correr né, e as pernas já vinham bem meia boca, mas faltavam só 21km. Em resumo, fiquei curtindo aquela paisagem e me bronzeando por 5 horas. Recomendo a prova a todos que possam ir, gostei muito do evento mesmo e irei todo ano se for possível. Local lindo, comida uruguaia, asfalto perfeito, marcação de tempo por chip, abastecimento de alimentos e hidratação muito bem feito. Colocação? Não faço ideia porque o site ainda não tem os resultados, mas a minha categoria era a maior e tinha uns 35 inscritos, eu devo ter chegado entre o 4º e 34º na categoria com certeza. Os organizadores tiveram um problema jurídico no dia da prova e não sei se isso está atrapalhando alguma coisa porque até prisão deu, o Deco colocou os detalhes no blog . Pelo menos pra mim nenhum problema jurídico teve impacto. Uma coisa que me atrapalhou mesmo foi um pedaço de sola descolado dos tênis que vinha batendo palmas do km10 em diante. Logo após a chegada, tomar banho, comer pra pegar a estrada em seguida. Mas a pessoa aqui meio abalada com a mistura de adrenalina e cansaço não tava coordenando nem comer direito e dei uma mordida na minha língua como nunca visto antes da na raça humana, a foto da língua é de 48h após o acidente. E o garçom do café em que fomos cismou comigo que os meus pratos dariam para 4 pessoas e eu insisti - é só pra mim mesmo, pode trazer meu querido, fica tranquilo. Minha irmã que adora cortar e costurar disse que daria pra dar um ponto na língua, mas eu achei meio radical demais e deixei criar um coágulo mesmo. Só dói pra comer. Iniciei a viagem de volta dirigindo os primeiros 220 km e entreguei a direção pra Aline no Chuy (depois dela ter sesteado no banco traseiro enquanto eu e o Michel discutíamos fatos relevantes sobre o Heavy Metal americano e britânico nos últimos 30 anos). Na aduana brasileira fomos parados e como a bike estava impedindo de abrir o porta-malas, a fiscal primeiro perguntou: compraram alguma coisa? Eu respondi: bolacha, muitas Cerealitas e Toblerone. Falamos que vínhamos da competição. Ela entrou no carro e ficou fuçando nas nossas coisas. Bem simpática a moça, pequerrucha e aparentando ter uns 25 anos. Simpática até ela pegar a roupa de neoprene do Michel e puxar a nota fiscal. Todos gelamos. Ela guarda a nota e diz: podem seguir. Dentro do carro fomos ver o valor da roupa dele e ficamos pensando “será que passou dos 300 dólares e ela foi parceira?” aí o Michel pega a nota e começa a rir - a roupa custou 299 dólares. Ano que vem se volta lá, espero que dessa vez pra fazer um triathlon mesmo, de preferência com menos vento.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Treinando para um Ironman



Como alguns não sabem inglês, resolvi colocar uma tradução aqui embaixo.


Estou treinando para um Ironman.


Mulher: quer sair pra jantar? São 6 horas.
Homem: não posso, tenho que ir pra casa dormir.
Mulher: são 6 da tarde, tu tens 38 anos, por que tens que ir pra casa dormir?
Homem: estou treinando para um Ironman.
Mulher: que diabos é um Ironman?
Homem: um Ironman é uma prova de 3,8km de natação, seguido de 180km de bicicleta e uma maratona de 42km, tudo dentro de 17 horas.
Mulher: qual o teu problema?
Homem: nenhum, isso é diversão pra mim. Eu tenho que ir dormir agora pra poder acordar às 4 da manhã e treinar.
Mulher: tu acordas às 4 da manhã?
Homem: 6 dias na semana, nas segundas eu durmo até às 6 da manhã.
Mulher: tu é retardado. Então tu vai dormir às 19h toda noite?
Homem: mais ou menos isso.
Mulher: quanto tempo tu precisas treinar para esse tal Ironman?
Homem: mais ou menos uns 6 meses.
Mulher: tu já te deu conta que não vais transar com ninguém por uns 6 meses?
Homem: não dá nada, pois eu vou ser um Ironman.
Mulher: tá, mas pelo menos tu ganha alguma grana por completar esse Ironman?
Homem: não, apenas o vencedor ganha dinheiro, eu na verdade pago 700 dólares pra me inscrever e depois tenho que comprar passagens aéreas e voar pra lá, gastar dinheiro pra despachar minha bike e pra ficar em um hotel. Mas tudo vale à pena, eu vou ser um Ironman.
Mulher: então tu gasta uma baita grana pra não sair de noite, não transar com ninguém por 6 meses, tudo pra dormir 19h e se intitular uma coisa que ninguém jamais vai ser estúpido o suficiente pra fazer?
Homem: mas eu vou ser um Ironman.
Mulher: tu é um idiota.
Homem: eu tenho que ir pra casa dormir agora. Se tu quiser sair comigo pra uma pedalada às 4:30 da manhã ia ser legal.
Mulher: não tem nada de legal às 4:30 da manhã, tu realmente é louco.
Homem: talvez tu queiras dar uma corrida comigo na terça e depois tomar um shake de proteína.
Mulher: isso a gente poderia fazer. A que horas vais correr na terça?
Homem: às 4:45 da manhã
Mulher: vai te f@$%#, eu vou jantar agora

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aquathlon do Cassino

MUDANÇA DE LOCAL E DATA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
13/03 É A NOVA DATA DA PROVA.
Área de Esportes Náuticos É O NOVO LOCAL

Isso é um post convite para o 1º Aquathlon do Cassino.
Esse tipo de prova (natação + corrida) vem sendo realizado na praia do Cassino desde 2000, sempre sob responsabilidade dos Salva-Vidas, levando o nome de “Duathlon dos Salva-Vidas do Litoral Sul”. Mas este ano, por diversos motivos administrativos, a corporação não iria realizar a prova.
Com isso começou a movimentação entre alguns atletas para tentar realizar a prova de qualquer maneira, mesmo que em menor proporção, por não contarmos com a forte presença dos Salva-Vidas de outras regiões que costumam vir prestigiar a prova de seus colegas.
Uma das críticas que eu sempre tive em relação à prova dos Salva-Vidas era quanto ao formato da mesma: a largada era na ponta dos Molhes da Barra (ninguém assistia), nadávamos aproximadamente 3km até a praia, transição para corrida, e corríamos 6km em direção à estátua de Iemanjá. Era preciso literalmente correr atrás dos atletas para assistir à prova. Nos Molhes se via a saída da água e transição, mas não se via o final da prova. Quem estava na Iemanjá via somente o final da prova. Quem estava na praia não sabia o que estava acontecendo e quem eram aqueles malucos que passavam correndo de sunga. Os atletas que não têm carro precisavam de carona para ir aos Molhes (se fossem de bicicleta, quem traria de volta a bicicleta?), os que têm carro precisavam de alguém que trouxesse seu carro de volta. A entrada pelas pedras muitas vezes deixava o pessoal com cortes nas mãos e pés, além disso, os primeiros atletas que chegavam à ponta dos Molhes ficavam ao sol esperando os demais, ou dentro da água (que nem sempre está em temperatura agradável para ficar parado). Mas de um jeito ou de outro, a prova sempre saía e por 10 edições os Salva-Vidas fizeram um excelente trabalho organizando o evento. Só esse ano que realmente não foi possível por questões administrativas.
Nessa edição de 2011 o formato da prova será diferente (semelhante ao que foi no primeiro ano, 2000), buscando facilitar tanto a vida dos atletas quanto da organização e plateia porque tudo se concentrará em um único local. O trajeto permitirá a todos acompanharem as colocações dos atletas várias vezes durante a prova (os atletas passarão pelo local de concentração da prova 4 vezes). As distâncias foram alteradas para 1100m de natação e 6 km de corrida. A natação será feita em 2 voltas (com uma passagem pela terra, permitindo ver as colocações no meio dessa etapa) e a corrida será feita em 3 voltas. A imagem abaixo mostra o rascunho que fiz quando tracei a ideia da prova.



Local: Praia do Cassino - Área de Esportes Náuticos (à esquerda da Iemanjá, entre o Terminal e os Molhes da Barra)
Data: 13 de março (domingo)
Distâncias: 1100m de natação (2 voltas de 550m) + 6 km de corrida (3 voltas de 2km)
Inscrições: enviar nome completo, equipe/patrocinador e data de nascimento para o e-mail coriolis@vetorial.net até o dia 11 de março (sexta-feira)
Preço: R$ 10,00 (a pagar no dia da prova).

Horários:
- Concentração, pintura e instruções: 8:30 - 9:30
- Aquecimento no trajeto da prova: liberado até 9:45
- Largada de todas as categorias: 10h
- Premiação: meio-dia

A competição é organizada pelas equipes esportivas R.A.O. e Rio Grande Multisports - RGM.
O patrocinador do evento é a Loja Container Cassino (Container Ecology Store CASSINO localizada na Av. Rio Grande, 523), na pessoa do Cesar Oliveira Júnior, que sempre que é requisitado, não nega apoio ao esporte.
Apoio: Secretaria Municipal de Saúde, Bombeiros e Salva-Vidas da Praia do Cassino (segurança) JNIL Cereais e Supermercados Guanabara (alimentação/hidratação) e Associação de Corredores de Rua de Rio Grande - ACORRG (infra-estrutura).

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Técnico vencedor Vs. Técnico perdedor.

Existe relação entre o sucesso esportivo e a qualidade profissional de um técnico/treinador?
A resposta óbvia é sim, existe. Mas como é possível avaliar competência de um técnico pelo sucesso de seu(s) atleta(s)? Isso é diferente em esportes individuais ou coletivos?

Em alguns esportes como o futebol isso é feito a toda hora de maneira equivocada (minha opinião) pela mídia e pelos torcedores. Existe apenas um resultado desejado pelo torcedor e 100 vitórias consecutivas não costumam ser suficientes para estabelecer um técnico em nenhum time. Basta uma derrota para que a mídia e os torcedores "exijam" a troca do técnico. Mais engraçado disso tudo é que hoje em dia a equipe responsável pelo sucesso de um time envolve pelo menos: fisioterapeuta, nutricionista, psicóloga, médicos, preparador físico, técnico, fisiologista, massagista, etc. e ninguém cogita colocar a “culpa” em algum desses membros. Erros nutricionais podem afundar uma equipe, desequilíbrio emocional ou treinamentos físicos mal distribuídos também, mas jamais veremos uma faixa no estádio pedindo que troquem a nutricionista ou a psicóloga do clube. O técnico sempre é o culpado exclusivo, costuma ser crucificado, sai do time e 2-3 anos depois ele retorna....até uma próxima derrota.

E num esporte individual?
Claro que por trás de um atleta bem sucedido existe um bom técnico e se seguirmos a lógica empregada pelo povo - um mau resultado pode significar um mau técnico. Será?
Com certeza os técnicos dos primeiros colocados são profissionais do mais alto nível, mas o que dizer dos treinadores dos atletas de menos sucesso? Esperamos que na medida em que as colocações vão ficando piores, o nível de tudo vá caindo também (inclusive dos técnicos responsáveis pelos atletas). Ou seja, os melhores técnicos treinam os melhores atletas e o oposto é verificado no outro extremo.
Não dá para comparar diretamente porque esporte profissional é uma coisa e provas que envolvem atletas amadores são totalmente diferentes, mas vejamos uma situação curiosa que ocorreu no Ironman do Hawaii de 2008.

Nesse ano no Ironman do Hawaii o primeiro colocado foi esse gurizão da foto, o australiano Craig Alexander (na época com 35 anos), com o tempo de 8h 17'. O treinador do Craig foi Nick White.
Alguma dúvida sobre a competência desse treinador?
Nenhuma. O cara levou seu atleta ao ponto máximo.

Agora vamos para o outro extremo da prova, o último colocado.
A última pessoa a cruzar a linha de chegada foi Joe Marinucci (1637º lugar), com a mesma idade do Craig, mas com o tempo de 16h 58' (mais do que o dobro do Craig).
Só o tempo da maratona do Joe (8h 6') foi quase suficiente para o Craig fazer o Ironman inteiro.
O treinador do Joe foi........Nick White. Sim, o mesmo Nick, a mesma pessoa.
Alguma dúvida sobre a competência do treinador do último colocado?

O ápice do sucesso foi a vitória com o Craig e com certeza no currículo do Nick White deve constar essa façanha (suficiente pra garantir emprego por um bom tempo). Alguém gostaria de colocar no currículo - “técnico do último colocado”?
Mas é muito engraçado isso, trata-se da mesma pessoa. A mesma competência extrema que levou à vitória deve ter sido aplicada também no treinamento do último colocado. E se não fosse o treinador, talvez o Joe nem tivesse concluído a prova. Ter chegado em último foi um sucesso ou um fracasso?
Se o Nick White tivesse treinado o Joe e mais uma meia dúzia, mas não tivesse treinado o vencedor, ele continuaria sendo o mesmo profissional competente. Mas não poderia colocar no seu currículo esse selo de qualidade.
Você gostaria de ser treinado pelo mesmo técnico do último colocado?
Gostaria de ser treinado pelo mesmo técnico do Craig Alexander?

Eu acho que o profissional deve sempre exaltar seus sucessos e tem mais que usar seus clientes/atletas como uma propaganda. O lado negativo disso tudo é que muitas vezes o pessoal dá mais atenção para o que “dá mais ibope” sem considerar o empenho e a competência do profissional envolvido.

Na área da educação física é muito comum a promoção pessoal nas costas dos outros. Eu cansei de ver slogans como - “personal trainer da fulana” sendo que a fulana geralmente é uma mulher com corpo perfeito, na casa dos 20-30 anos, que tem 6 horas por dia pra dedicar ao exercício e que já nasceu linda. O que pode ser mais fácil do que ser treinador de uma pessoa assim? Quem quer ser personal trainer de uma senhora obesa, diabética e hipertensa, com 76 anos, que nunca se exercitou e não gosta de se exercitar?
Qual desses profissionais é mais competente? Qual tarefa é mais difícil?
Imaginem dois folhetos de propaganda:
1. Personal trainer da Sabrina Sato (uma foto do sujeito ao lado dela, bronzeada numa roupa de corpo inteiro de suplex branco, em uma sala de musculação).
OU
2. Personal trainer da dona Firmina (uma foto abraçado na vó, de vestido florido e óculos, mostrando a dentadura e segurando 2 pesinhos de meio quilo).
Qual desses profissionais você queria? O da Sabrina? (eu prefiro ela na verdade)
Qual deles é o mais competente? Não sei.
Qual dos dois precisa ser mais esforçado? O da dona Firmina, com certeza.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Melissinha, vem com a pulseirinha"
Quando eu era pequeno tinha uma propaganda em que a sandália trazia de brinde uma pulseira, e a menina da propaganda falava: "é a minha Melissinha que vem com pulseirinha."

Existem pulseiras por uma causa, que revertem dinheiro para benefício de alguém, como a pulseira amarela da fundação Livestrong que auxilia a pesquisa no câncer. Outras pulseiras incluem para transplante renal (verde), câncer de mama (rosa), diabetes (azul), esclerose múltipla (laranja), epilepsia (meio azul, meio vermelha), furacão Katrina (azul piscina misturado com branco), câncer pancreático (púrpura), e AIDS (vermelha, feita apenas na África). Em geral, a cor da pulseira descreve sua causa, e as cores são frequentemente as mesmas das fitas de campanhas (como a fita vermelha da AIDS).

Ano passado um monte de homem grande, inclusive famosos do meio esportivo, começou a usar a pulseira do equilíbrio, a chamada "Power Balance". E o negócio virou febre, junto com todos os seus "testes infalíveis" de equilíbrio e flexibilidade. O ponto máximo do efeito placebo.

Mas a Power Balance não defendia causa nenhuma (a não ser a do cara muito esperto que inventou o negócio).

Pelo menos na Austrália o revendedor das pulseirinhas Power Balance admitiu ter se aproveitado da "ingenuidade" do consumidor menos informado e lançou esse documento abaixo dizendo algo como: ok pessoal, o negócio não funciona, a gente tava brincando com vocês, foi mal. Quem quiser o dinheiro de volta a gente vai devolver.

No documento eles admitem: "nós prometemos ganhos em força, equilíbrio e flexibilidade, mas admitimos que não existe nenhuma evidência de que isso seja real e portanto nos enquadramos em uma conduta ilegal. Se você se sentiu enganado pela nossa propaganda, pedimos desculpa e lhe oferecemos um reembolso monetário (desde que você tenha nota fiscal, canhoto do cartão ou outros comprovantes de compra de um revendedor autorizado)."

Coisa que no Brasil não deve acontecer, primeiro porque os direitos do consumidor são de certa forma negligenciados em relação a outros países e segundo porque brasileiro não tem hábito de guardar canhoto de compra, nota fiscal, etc. Isso pra não falar de quem comprou o bagulho em camelô.
Irônico mesmo é que o mesmo pessoal que admite isso segue vendendo e propagandeando o produto. Eles lançam um documento dizendo que não funciona, mas mantêm toda rede comercial funcionando normalmente em http://www.powerbalance.com.au
Mas agora no site não aparece nenhum benefício da pulseira. Eles podiam ao menos tirar o Andy Irons do site, ele aparece como usuário (o surfista morreu em novembro passado).

sábado, 1 de janeiro de 2011

Balanço esportivo: 2010
O ano de 2010 acabou e não foi nada do que eu pensava que seria. Na minha infância criei a expectativa de que em 2010 estaríamos “no futuro”, tipo Jetsons, mas isso não aconteceu. Apesar de termos internet (que ninguém previa), ainda dirigimos os mesmos carros, nada de naves. Tirando o WikiLeaks, o ano não teve nada de surpreendente.
A foto do post é de 11 anos atrás de propósito, fim de ano é hora de se olhar pra trás. É do primeiro Duatlo que se fez no Cassino, em frente à estátua de Iemanjá. Eu com 25 anos, numa era A.A. (Antes do Abib, Henrique Abib, atleta que se tornou invencível nessa prova desde 2005 – desde então ele é sempre o primeiro a sair da água e o primeiro a cruzar a linha de chegada). Eu de lá pra cá felizmente estou nadando menos para me tornar um triatleta melhor (troquei tempo dedicado à água pelo asfalto para me tornar um melhor ciclista e melhor corredor).
Sempre ao final do ano eu faço o controle numérico dos meus treinos pra ter ideia de quanto estou treinando e como evoluo (ou involuo) ao longo dos anos. Mesmo antes de ser epidemiologista eu já tinha mania de ficar fazendo esse tipo de contabilidade inútil. Mas dá pra ver uma boa associação entre o volume de treino em cada disciplina e meu rendimento. Comecei esse controle em 1999 e tive altos e baixos causados basicamente por 3 motivos: lesões, falta de tempo ou problemas como piscina fechada por alguns meses.
Em 2010 tive uma mudança positiva que foi ter finalmente iniciado Pilates. Há muito tempo queria ter iniciado, mas sempre achava alguma desculpa. Apesar de não ser muito mensurável o quanto meu condicionamento melhorou devido ao Pilates, me sinto melhor e mais eficiente em vários aspectos. Além disso, fiz uma avaliação postural com fisioterapeuta que me receitou palmilhas e me fez entender cadeias cinéticas que estavam desequilibradas no meu corpo. Não que elas estejam equilibradas perfeitamente agora, mas quanto mais conheço do meu corpo, mais reconheço minhas limitações e melhor convivo com elas. Com isso mudei alguns hábitos e incorporei alongamentos diários específicos e manobras na quiropraxia que me deixaram menos suscetível às lesões e aos espasmos musculares, que são minha cruz desde 2000.
Uma das coisas que mais mudou ao longo dos últimos 10 anos foi a proporção em cada disciplina, por exemplo, em 2000 o tempo que dediquei à natação foi 5 vezes maior que o tempo dedicado à corrida. Dez anos depois, a quantidade de tempo gasta nessas 2 disciplinas é praticamente a mesma, com o ciclismo ocupando o dobro do tempo, o que é bem mais coerente para um triatleta como eu, que começou na natação.
Mas encerrando o ano de 2010 então eu treinei um total de 245 horas nas 3 disciplinas. Além disso, acumulei 175 horas entre musculação e Pilates. Pode parecer muito, mas já cheguei a treinar quase 500 horas em um ano, porém isso foi numa era pré-mestrado, pré-doutorado, pré-trabalho de gente grande. Mesmo com as mudanças em treino, a composição corporal permanece praticamente inalterada desde 1994, mas agora com os 40 chegando perto a coisa pode mudar um pouco.
Com essas comparações é que se percebe a diferença de uma pessoa ativa (como eu) para um atleta de verdade. Enquanto eu faço 400-500 horas de atividade em um ano, um triatleta de elite chega a treinar 2 mil horas. Enquanto eu pago, eles são pagos para treinar, viajar e competir.
Acumulei em 2010 aproximadamente 150 km nadados, 4170 km pedalando e 750 km de corrida. Ou seja, ao longo de um ano, é o mesmo que dizer que todos os dias eu fiz um mini-triathlon em que nadei 410 metros, pedalei 11,5 km e corri uns 2 km. Infelizmente o que eu queria aumentar mesmo eram horas de sono, mas isso tá difícil. Quem sabe isso mude agora com a minha aposentadoria em 2040 mais ou menos.
Apesar do treinamento não ter sido dos maiores em volume, esse foi o meu ano mais competitivo desde 1995, pois participei de 30 provas entre natação, ciclismo, corrida e combinações dessas disciplinas. Dá uma média de uma largada a cada 12 dias. E felizmente das 30 que larguei, 28 eu completei, desisti apenas de 2 rústicas por causa dos espasmos musculares. Psicologicamente nunca estive tão treinado e até acho estranho acordar num domingo sem despertador e sem competição.
Pro ano que vem a intenção é competir a mesma quantidade e sem dor, mas também se tiver que ser com um pouco de dor e abandonar umas corridas de vez em quando, não dá nada. Sinceramente hoje eu largo com 2 grandes objetivos: completar e não me acidentar no ciclismo. Desde 2001 (quando tive um acidente meio sério) cruzar a linha de chegada sem nada quebrado nem sangue tá mais do que bom. O negócio é seguir assim e não parar com o triathlon, pelo menos até os 85 anos.
É, 85 é uma idade legal, 2059 então vai ser minha última temporada no triathlon, é um ano bom. Depois disso o ciclismo começa a ficar perigoso, fica difícil treinar ao mesmo tempo com Ipod e aparelho de surdez e a partir de 2060 o lance vai ser ficar nadando e correndo naquele ritmo dos velhinhos, como diz um amigo meu, no “passinho da porca prenha”. A não ser que eu faça como esse senhor aí embaixo, ai a coisa muda de figura e pode ser que eu me empolgue por uns anos a mais.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Diferença de idade.
Uma diferença de 60 anos entre um casal é muita coisa? Depende do "espírito jovem" do lado mais velho. Olhem bem pra cara de safado e contente do senhor ao lado.
O dono da Playboy, por exemplo, de 84 anos, vai se casar com uma playmate de 24 anos.
Na verdade a diferença que realmente importa nesse caso é a monetária.
Mas deixa o velho, é uma troca de favores como tantos outros casamentos.
Complicado vai ser quando ela fizer 40 e ele tiver 100, as mulheres de 40 hoje em dia são muito jovens ainda, e ele com 100 provavelmente vai começar a demonstrar alguns sinais de envelhecimento. Mas como a chance dele empobrecer até lá é mínima, com certeza a chama da paixão se manterá acesa.

domingo, 28 de novembro de 2010

Prêmio Triathlon: "Estúpido do ano".



domingo, 21 de novembro de 2010

Volta da Ilha dos Marinheiros.
Eu não costumo escrever relatos de competições, mas hoje fiz uma corrida que me marcou por alguns motivos. Foi a prova mais longa que já fiz (24km em saibro e sem sombra), fiz meu melhor tempo de meia maratona (1h 42') e um corredor da prova morreu, o que é uma experiência meio surreal.
Bom, mas vamos à corrida. Meu plano era fazer 1h 54’ (coloquei o GPS para manter o ritmo de 4’45” pra cada km) e acabei fazendo 1h 57' 13", ou seja, fiz cada km em 8 segundos acima do que planejei, mas tudo bem, o dia estava muito quente, dei umas caminhadas pra beber com calma e pelo que ouvi todo mundo ficou com tempos acima do esperado. Meu percurso está aqui registrado no GPS . O que me chama atenção é que realmente nós temos um ritmo de corrida e é bem difícil mexer com isso. Eu falo assim porque meu melhor tempo em Meia Maratona era de 1h 48’, mas isso foi feito depois de nadar 1900 metros e pedalar 90 km. Era de se esperar que estando descansado eu fosse muito mais rápido, mas na verdade eu consegui fazer 6 minutos a menos apenas, ou seja, estando descansado eu fui somente 5% mais rápido. Até é diferença, mas se a gente pensa em pedalar 90km e depois correr ou simplesmente iniciar a correr descansado, o esforço é bem distinto. Larguei meio acelerado e o pessoal que eu sabia que iria no meu ritmo (Kiko e Rafael Ilha) demorou a me alcançar, um pouco antes do meio da prova eles me alcançaram, mas ficamos pouco tempo juntos e eu segui na frente deles. (na foto pós-prova em escadinha - Kiko, Rafael Ilha (ex-obeso), Pedro Zeleniakas e eu). O pessoal se assusta porque eu caminho de vez em quando, mas é mania mesmo, se passo por um posto de água e tem uma sombrinha por perto, eu valorizo aqueles metros pra beber com calma e curtir alguns segundos de sombra, que eram raridade na prova de hoje. Levei comigo 4 garrafinhas de isotônico, tomei água em todos os postos e ainda dilui num copo uma pastilha com eletrólitos. Após a chegada foram mais 2 copos e 2 garrafas de água - só fui fazer xixi 4 horas depois, e com cor de whisky - ou seja, mesmo com todo meu esforço pra manter a hidratação, não deu. Isso me causou um enjôo pós-prova e só fui conseguir comer 2h mais tarde. Semana passada corri uma etapa do estadual de triathlon (em Osório) e fiquei em quarto lugar. Hoje repeti a colocação.

Mas o lado triste que com certeza marcará o evento foi a morte do corredor (que já está em todos jornais online). E sempre ouvimos aquela frase clássica - “como tem morrido atleta né”. Eu sempre penso: atletas são pessoas, e pessoas morrem, alguns morrem parados em casa aos 40 anos, outros morrem fazendo sexo aos 80, e alguns morrem jogando futebol com 25.
O corredor que faleceu tinha 54 anos, era funcionário da Universidade (FURG) e estava participando da Volta de 24km. Assim que cruzei a linha de chegada ouvi a notícia me assustei porque o pai de um grande amigo meu também é da Furg (Paulo Rubira), estava na corrida e tem mais ou menos essa idade, mas em seguida falaram o nome do falecido e vi que não era ele.
Possivelmente a imprensa ou meros espectadores agora começam a comentar sobre o esforço que é uma prova dessas, em que pessoas chegam ao ponto de exaustão que leva à morte. Lá na hora mesmo muitas pessoas já falavam - "ah, mas o dia está muito quente". Mas esse caso específico nada tem a ver com a prova em si ou com as condições da mesma.
Para se ter um infarto fulminante basta estar vivo, em mais de 40% dos casos de doença cardíaca, o primeiro sintoma é a morte. O acidente cardíaco (que culminou com a morte) ocorreu com menos de 10 minutos de prova, ou seja, com certeza o trágico evento é consequência de alguma atitude tomada antes da prova, possivelmente no(s) dia(s) que antecederam a competição ou simplesmente ele iria morrer, mesmo se estivesse em casa vendo o Esporte Espetacular. Nesses momentos começam os comentários, como por exemplo: ele havia corrido 2h na véspera e teria consumido grande quantidade de bebidas "estimulantes/energéticos". Realmente, essa tem sido uma prática cada vez mais comum e o pessoal acha engraçadinho ter taquicardia. Hoje existem vários produtos ricos em cafeína, taurina, etc. que são estimulantes, mas esportivamente podem se somar a outros fatores (adrenalina, calor, desidratação, um coração meia boca, etc.) e causar desmaios ou algo pior. Não conhecia o corredor pessoalmente, mas parece que ele não tinha um estilo de vida muito regrado para quem quer ser atleta amador, mas isso realmente não faz qualquer diferença agora e ficar procurando causa mortis é 100% inútil. O único lado bom de se aprofundar uma investigação dessas é se constatado que foi alguma imprudência, poder mostrar pro pessoal no futuro que não dá pra brincar com algumas coisas.
Outra crítica no momento foi em relação ao socorro prestado. As ambulâncias estariam mais a frente com o pessoal da "elite". Eu nem quero entrar nesse assunto, mas perdi a conta de ir a competições em que o socorro anda com os primeiros lugares, justamente quem menos precisa. E isso ocorre com mais frequência em provas de natação (Travessias), o que é mais sério ainda. É comum vermos vários barcos cercando os primeiros colocados e do meio pra trás o pessoal vem sozinho, meio desnorteado, andando em ziguezague e se algo acontece... não sei se hoje aconteceu algo parecido, mas muitos disseram que a ambulância demorou a chegar. E se tivesse chegado antes???? Não dá pra saber.

domingo, 7 de novembro de 2010

It’s evolution, baby!!!

I'm ahead, I'm a man. I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust, I can kill 'cause in God I trust, yeah
It's evolution, baby.


Os versos são da música “Do The Evolution” do Pearl Jam que trata com ironia a evolução do ser humano.
Acabei de ler o livro “The greatest show on Earth - the evidence for evolution”, do escritor/biólogo Richard Dawkins . Eu dei o livro de presente ao meu orientador de doutorado, e assim que ele leu me recomendou, acabou que o livro ficou mais tempo comigo do que com ele. O autor Richard Dawkins ficou famoso por ser um fervoroso ateu, mas nesse livro o enfoque é muito mais biológico do que religioso, por isso é bem mais interessante do que outros títulos dele. O livro trata da evidência para evolução e discute a posição dos católicos que não aceitam a evolução como um fato comprovado pela ciência. O autor demonstra a evolução rivalizando as descobertas evolucionistas com os dogmas creacionistas da igreja. Pela religião, nosso planeta tem por volta de 10 mil anos apenas, Deus criou todas as criaturas do mundo na forma atual e ponto final, crenças compartilhadas por mais de um terço dos americanos, por exemplo. Para os mais radicais, Darwin é um grande mentiroso e suas teorias são absurdas.
Algumas perguntas que os opositores à evolução fazem aos biólogos são até infantis, como, por exemplo: 1. por que não existem fósseis mostrando todas as etapas da evolução? Para algumas espécies até existe, mas a razão principal é que a formação de fósseis depende de uma situação geológica muito específica, que não acontece a toda hora.
2. Se o macaco evoluiu até o homem, por que nunca se viu um macaco dando à luz a uma criança? Por que a evolução não se dá de uma geração pra outra. Além disso, ninguém afirma que o macaco evoluiu até chegar ao homem, mas o que se sabe é que ambos tiveram um ancestral em comum. Da mesma forma que ao analisar as semelhanças fica bem evidente que hipopótamo, peixe-boi e baleias tiveram ancestrais em comum.
Relato a seguir algumas ideias curiosas tratadas no livro, mas também extraídas de outras fontes que fui lendo/aprendendo por aí que nos mostram que a evolução não apenas ocorreu, mas ainda é visível. Recentemente fiz uma palestra na faculdade sobre gestação em que mencionei coisas semelhantes. De certa forma a evolução que os seres vivos experimentam da concepção à morte, nos mostra várias etapas evolucionistas que reproduzem, num mesmo ser, os passos da evolução ao longo de milhares de anos.
Filhos de qualquer raça de cachorro são parecidos e a razão pra isso é que todos têm a mesma (e única) função: mamar. Imaginem como um filhote de Collie iria mamar se já nascesse com aquele “bico”. (repare que nós humanos também nascemos todos com o rosto achatado, porque assim como o Collie, precisamos mamar).
Um dos motivos para que o homem começasse a se unir em famílias e criar laços após nascerem os filhos foi ter assumido a posição bípede (em pé). Os primatas que andam de 4 conseguem carregar os filhos nas costas, mas mulheres não, e com isso ficam com um dos braços ocupados, dificultando muitas tarefas, precisando de ajuda. Assim o macho precisa ficar mais perto dela e começa a surgir um vínculo maior entre machos e fêmeas que tinham filhotes.
Flores e insetos evoluíram juntos. A flor precisa do inseto para polinizar e o inseto quer o açúcar, é uma troca de favores, mas que tem diversos aspectos evolutivos regulados ao longo de milhares de anos. Por exemplo, a quantidade de açúcar que a flor “entrega” ao inseto deve ser precisa, se for demais, ele fica satisfeito e não procura outra flor (não faz polinização) e se for de menos ela não volta nela. Nas descobertas de Darwin ele encontrou uma orquídea que tinha o depósito de néctar a 30 cm de profundidade na flor e disse: tem que existir um inseto capaz de chegar lá e polinizar a flor. Na época não se conhecia nenhuma espécie capaz disso, mas ele insistiu que era só uma questão de se procurar. Alguns anos mais tarde o inseto foi descoberto e classificado.
E quanto mais estudamos o ser humano, mais semelhanças com os outros animais nós achamos. Nossa busca pela evolução e melhoramento genético segue muito viva nos dias de hoje, só que a sociedade de certa forma mascara algumas manifestações puramente biológicas. Um exemplo é que mulheres, dependendo do período menstrual em que estão, podem achar o cheiro de suor de certo homem atraente ou repugnante. Ainda no campo do suor, jamais uma mulher sente atração pelo cheiro de um irmão, porque ele é um macho inútil, que não serve pra reproduzir. Um grupo de mulheres que convive diariamente, com o passar do tempo tende a menstruar todas juntas, mas com a pílula e outras intervenções, isso não se concretiza. A explicação para tal sincronia é que se um grupo de fêmeas entra no cio ao mesmo tempo, elas se ajudam na criação da prole. Se apenas uma fêmea engravidasse, ela poderia ficar pra trás do bando.

Com certeza tem gente que lê isso e conclui: quanta bobagem, bicho é bicho e gente é gente.
Em uma discussão histórica entre um biólogo e uma religiosa, ocorreu o seguinte diálogo:
Religiosa: quer dizer que a evolução de Darwin quer nos convencer que a partir de um ser aquático, com apenas uma célula nós fomos evoluindo, saímos da água, desenvolvemos pulmões, viemos pra terra, criamos membros, até chegar a esse ser complexo que é o homem hoje em dia?
Biólogo: a senhora fez isso em apenas 9 meses, e não quer acreditar que o mesmo possa ter ocorrido ao longo de milhares de anos?


Por que o homem jamais testemunhará a evolução? Porque não vivemos o suficiente pra isso.

Nós hoje somos como um policial do CSI, que chega à cena do crime e precisa entender o que ocorreu no passado mesmo sem testemunhar o crime e vai montando um quebra-cabeça. As peças estão todas espalhadas na natureza, basta saber procurar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Bon Jovi & Rush in SP

As diferenças mais visíveis entre os shows eram: no Rush havia mais camisetas pretas e cabelos brancos na plateia. No Rush a área VIP estava proporcionalmente mais cheia que as outras, provavelmente reflexo da faixa etária do público, gente que já não tem mais idade pras horas de fila e quer ver a banda mais de perto (porque foi pro show sem óculos). No Bon Jovi o público era 50/50 (metade homem, metade mulher), no Rush era metade homem e a outra metade também. Não, falando sério tinha mulher na plateia, mas poucas eram visivelmente fãs do Rush, a maioria parecia estar lá como acompanhante. Fila pros banheiros: no Rush não havia fila feminina, mas a masculina era imensa, praticamente o oposto do BJ. Como no Rush o público era ligeiramente mais velho, tinha bastante gente fumando maconha, o que está completamente fora de moda.
O show do BJ estava muito bom, mas o do Rush é uma experiência que qualquer músico deveria ter, gostando ou não de Rush. Eu mesmo não me considero um grande fã da banda, mas ouvi muito Rush quando comecei a tocar guitarra e ouvir rock "de verdade" (1986). Nessa época os LP's do Deep Purple, Led Zeppelin, Pink Floyd e Rush eram os mais tocados na minha casa e dos amigos. E eu jamais poderia imaginar que um dia assistiria eles ao vivo, muito menos que eles ainda estariam na ativa quando eu estivesse me aproximando dos 40 (a banda surgiu em 1968). E na transição dos LP’s para os CD’s da juventude, meu primeiro CD foi o Slippery when wet do Bon Jovi, presente de aniversário (17 anos) de uma namorada. Os gaúchos do Fresno abriram pro Bon Jovi, e já se sabia que seriam hostilizados pela plateia. Algumas vaias, muitos dedos erguidos, mas acho que não tem muito cabimento vaiar os guris, afinal, eles estavam trabalhando e encarar mais de 60 mil pessoas com vaia não deve ser fácil, acho que ninguém merece isso. Mas que eles são fraquinhos, isso são. O Bon Jovi tocou músicas de 3 épocas bem distintas da banda, uma cover de Pretty Woman (Roy Orbison), coisas antigas como Runaway, Blood on blood, I'll be there for you; músicas dos anos 90 como In these arms, Keep the faith, e as mais recentes We Weren't Born to Follow e Lost Highway, mas praticamente todas as mais conhecidas via FM foram tocadas (You Give Love a Bad Name, Born to Be My Baby, It's My Life, Always, Someday I'll be Saturday Night, Livin' on a Prayer e Bed of Roses). Das mais melosas, só ficou de fora Never say goodbye pra não dizer que tocaram todas as conhecidas. Antes do show eu havia lido um comentário negativo sobre um DVD ao vivo recém lançado dizendo que a banda estava longe da sua melhor forma. É óbvio que eles não têm mais 25 anos (têm o dobro disso), mas nenhum prejuízo ao show, muito pelo contrário, acho que o Jon Bon Jovi ficou menos exibido com os anos e a banda parece uma coisa única ao invés de um frontman com uma banda de apoio. O guitarrista Richie Sambora segue o mesmo, tocando e cantando muito bem. No show inclusive a música Lay your hands on me é cantada apenas por ele enquanto o Jon descansa. Só o gosto dele por guitarras esquisitas é que piorou, já o Jon segue usando aquele mesmo modelo de violão preto Takamine (ok, ele comprou antes de mim, eu que imitei ele mesmo). Por volta de 27 músicas, tocadas em mais de 2h 30'. E ouvi alguns comentando "ah, eu vim porque ELA queria vir, mas até que gostei bastante". Na plateia vários remanescentes da época "poodle rock n' roll", de cabelo comprido, couro, brincos, correntes, etc. Acabei de ler que o show do Rio, além de ter 5 músicas a menos, teve um repertório bem “inferior” ao de SP, deixando de fora coisas que o pessoal queria ouvir e incluindo músicas meio obscuras no setlist. Uma moça me fez mudar de lugar durante o show, ela insistia em cantar TODAS as músicas do início ao fim, com aquele inglês do Yázigi que só o brasileiro tem e sempre meio tom acima - insuportável.

No Rush a surpresa ficou por conta dos vídeos cômicos que eles projetam no início, meio e final do show, nos quais eles são os atores. O show tem uma parada de meia hora, e eles explicam que isso deve-se ao fato da idade dos componentes da banda que precisam descansar, ir ao banheiro, etc. afinal são senhores de 60 anos, mas como tocam os “velhinhos”. Em todas as músicas os 3 provam porque são das raras unanimidades, sendo admirados pelo pessoal do Jazz, rock, metal, etc. O baterista Neil Peart diminuiu a sua bateria (em tamanho), mas segue sendo um show à parte. Na maioria das listas de “melhor do ano” ele nem é mais concorrente porque na categoria melhor baterista perdeu a graça e tiraram ele da concorrência desde a década de 80. Não tem nada simples no jeito com que ele toca, parece que tem sempre outro baterista tocando junto.
Tudo bem que eles usam bases pré-gravadas e sintetizadores, mas é incrível a potência do som que o trio consegue produzir ao vivo, nenhum DVD ou filmagem consegue reproduzir. E eu fui ao show principalmente por esse motivo, não como fã de cantar música junto, mas eu queria ver a qualidade técnica da banda e mesmo esperando o melhor possível eu ainda fiquei surpreendido. As músicas que mais fizeram o pessoal delirar foram as conhecidas Closer to the heart, Tom Sawyer (lembram da abertura do McGyver??) e a The Spirit of radio (pra quem é gaúcho, tema de abertura do Jornal do Almoço durante anos) além da parte em que eles tocaram na íntegra o álbum Moving Pictures. Para o meu gosto de Rush, queria ter ouvido mais coisa dos álbuns Counterparts e Roll the bones, a fase que mais gosto deles são os anos 90, mas sem reclamações. O sistema de iluminação e efeitos especiais de palco que o Rush usa é uma atração extra. Uma estrutura de luzes similar à uma aranha fica sobre os músicos e se articula, muda de cor, sobe de desce durante as músicas. Câmeras ficam na parte superior do palco para filmar de cima os músicos (principalmente o baterista).
Lição: nunca vá a um show com máquina fotográfica nova achando que as configurações são “intuitivas”.
No show do BJ fui e voltei de táxi dividido com gente que encontrei no caminho. Para o Rush fui caminhando por causa do engarrafamento e do preço abusivo que os taxistas cobram pelo horário e pela procura que um show de 50-60 mil pessoas causa na região do Morumbi (um trajeto de 20 reais pode custar até 100, dependendo do humor do taxista).
Dei uma checada no deus Google para fazer um caminho e ver a distância. Do hotel ao estádio eram 4,5km. A ida a pé foi tranquila (apesar de ter muita subida), mas na volta resolvi correr ao invés de caminhar porque andar 4,5km em SP depois da 1 da manhã não me pareceu ser muito legal. Resultado, devo ter corrido os meus 4,5km mais rápidos na modalidade "estou da calça jeans, tênis velho e em pé há mais de 5 horas".
No Brasil é assim, ás vezes ficamos meses, anos sem nenhum show internacional e agora entre festivais e shows individuais, em menos de um mês acumula um monte de coisa que eu gostaria de ver (Bon Jovi, Rush, Greenday, Festival SWU: Joss Stone, Kings of Leon, Dave Matthews Band, Linkin’ Park, e o festival da Natura com Jamiroquai e Snow Patrol). E perdi esperança de conseguir um ingresso para o tal do Paul McCartney aquele (ele tinha uma banda nos anos 50-60, parece que o nome era os The Beatles). Serão 2 shows no Brasil, mas o de Porto Alegre já esgotou em 2 horas e duvido que SP seja diferente. Mas tudo bem, o Paul está em início de carreira deve vir ao Brasil ainda várias vezes.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

5150 – leram meus pensamentos?

Desde os anos 80 que esse número (lê-se fifty one fifty) tem um significado musical pra mim, 5150 sempre esteve relacionado ao Van Halen (uma das minhas bandas favoritas) porque é o nome de uma música, de um disco e do estúdio da banda (na casa do guitarrista Eddie Van Halen), além de ser o apelido da guitarra Kramer que ele usava na década de 80 e o nome de uma linha de amplificadores que o Van Halen lançou junto com a marca Peavey. A banda escolheu esse número porque é o termo policial para “pessoa com distúrbios mentais”.

Por isso quando vi esse símbolo contendo os 4 números, me chamou muita atenção, o que será que esse 5150 queria dizer e que relação teria com triathlon? Será que a banda vai lançar uma prova de triathlon? Improvável.

Dentro do triathlon minha distância favorita sempre foi a Olímpica ou Internacional (1,5km de natação; 40km de ciclismo; 10km de corrida) porque é uma distância “confortável” e que mais favorece quem nada bem, proporcionalmente é a maior natação – são apenas 400m a menos que um 1/2 Ironman, mas menos da metade de ciclismo e corrida. Como das 3 disciplinas, a minha melhor é a água, é natural que me sinta melhor nessa prova. Além do que é uma prova menos neurótica do que a distância curta e não chega a cansar tanto quanto ½ Iron ou Full Ironman. Enfim, pra mim é a melhor distância e a que eu faço com maior prazer de competir. E justamente essa distância é a que menos existem competições.

No triathlon profissional essa é a distância padrão da ITU (International Triathlon Union) e o que se vê nas provas são excelente nadadores saindo juntos da água, formando um pelotão com vácuo na bike e todos iniciam a correr juntos, como se todos fossem iguais. A diferença entre os 10 primeiros colocados costuma ficar abaixo dos 2 minutos. Mas isso se deve ao vácuo que faz com que a prova se decida sempre na corrida e quem não nada no pelotão de frente não tem nenhuma chance de pódium.

Sempre que me perguntaram qual seria a minha prova perfeita, sempre pensei – distância olímpica, mas sem vácuo porque não gosto de provas com vácuo. Só que essa prova não existe, quer dizer, não existia.

No dia 5 de outubro de 2010 a WTC (World Triathlon Corporation) empresa responsável por mais de 120 provas no mundo todo e dona das marcas Ironman, Ironman 70.3, Ironkids e Iron Girl, anunciou a estreia de um novo e inédito circuito mundial de triathlon, sem vácuo, nas distâncias olímpicas. O circuito terá 16 provas espalhadas pelos USA e Europa.

Eu vou correr o circuito? Óbvio que não, mas como essas coisas se espalham e o Meio Ironman que até um tempo atrás não existia, virou moda após lançarem a série 70.3 mundo afora. A esperança é que em breve esse tipo de prova esteja ao alcance dos mortais amadores aqui no Brasil também.

No 70.3 o nome deriva das distâncias somadas em milhas (1,2 + 56 + 13,1) que são exatamente a metade de um Ironman. No 5150 vem da soma das 3 modalidades em km (1,5 + 40 + 10). E eu que adoro somar números jamais tinha me dado conta dessa coincidência.

Agora é esperar que a moda pegue e o formato de prova se espalhe assim como ocorreu com o 70.3.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A sinceridade dos anúncios

Dias atrás, chegando no Pilates, o pessoal estava comentando os anúncios da seção “Outros” do jornal.
Hoje em dia com tantos sites de relacionamentos, agências de encontros, etc., algumas pessoas se mantêm fieis ao jornal como forma de anunciar seus mais íntimos desejos. No jornal 3 anúncios me chamaram atenção e reproduzo-os abaixo:

Anúncio 1:
PROCURO MULHER Discreta com idade até 40 anos para encontros sigilosos, sou empresário maduro e carente de boa companhia. Interessadas escrever com todos os dados pessoais, foto e telefone para caixa postal XX, Correio Cassino, para Júnior. Responderei a todas.
O que será que ele quer, ter uma amante ou ser amante de alguma casada?
Quem é que declara querer encontros sigilosos?
Com certeza ele não quer uma relação normal, nem deseja se apaixonar porque quem se apaixona grita pra todo mundo ouvir.
Ele não quer uma namorada/esposa/companheira, quer alguém para “encontros sigilosos”, tipo uma mulher pantufa. Mesmo assim ele é um amante à moda antiga, pois usa caixa postal.

Anúncio 2:
PROCURO UM Namorado rico para me ajudar financeiramente com idade entre 45 e 60 anos.
Essa matou a pau, é sincera e vai direto ao assunto, é uma mulher decidida. Pra que mentir né, se o que ela quer realmente é o dinheiro do cara? Só faltou definir o que é rico pra ela. E percebe-se que ainda resta alguma dignidade, afinal ela estabeleceu um limite de 60 anos pra não dizerem depois que ela pegou um velho rico, só pra explorar.
A faixa etária não me enquadra, e nem sei o que ela quer dizer com rico, uns carnês eu até encaro, mas pra rico não sirvo.

Anúncio 3:
PROCURO NAMORADO acima dos 30, separado e divorciado para namoro sério.
Ok, acima dos 30 me serve, mas sou solteiro, e ela não quer ninguém solteiro, tem que ser alguém “separado e divorciado”, aí não dá pra mim.

Bom, como estou solteiro desde o início do ano, vou seguir lendo os anúncios até achar algum em que eu me encaixe.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Compras no exterior.
Não é segredo pra ninguém que eletrônicos e material esportivo são mais baratos no exterior do que no Brasil. Muitas vezes os preços lá fora ficam por volta de 50% do que pagamos aqui, e às vezes eu ouço gente reclamando que os comerciantes brasileiros estão metendo a mão e querendo ganhar mais do que devem. Eu acho que, apesar de ter distribuidor metendo a mão, a coisa não é bem assim.
Espero que os comerciantes mais próximos de mim (Lumbra e Lizandro) não se importem com o que vou escrever, até porque não considero que as compras no exterior representem uma concorrência pra eles.
Eu recentemente fiz 3 compras no exterior via internet e logo aprendi que a gente não pode se jogar de cabeça porque cada item tem que ser avaliado para ver se vale a pena. E uma desvantagem de comprar lá é que, se nos cobram imposto, o pagamento tem que ser à vista, já os lojistas locais nos facilitam o pagamento.
Se trazemos pessoalmente algo do exterior, a tarifa a pagar é de 50% sobre o que ultrapassar a cota, mas se compramos algo pela internet, o imposto cobrado pode ir de 0 a 100%, e infelizmente, apesar de existir lei para isso, sempre é uma incógnita. Vou ilustrar isso com algo que aconteceu comigo (ambos os sites do Reino Unido):

Pacote 1 (veio pela UPS) - 1 par de pneus Schwalbe Ultremo R1
Foi cobrado imposto de 100%

Pacote 2 (veio pelo Royal Mail International)
1 par de pneus Schwalbe Ultremo R1 - 1 par de luvas Giro - 1 alongador de válvula Topeak
Não cobraram nada de imposto

A impressão que se tem é que pacotes pequenos “podem” passar sem imposto, mas o comprador tem que sempre estar preparado para o pior (pagar no ato até 100% de tarifa alfandegária).

Mas quando vale a pena comprar no exterior?
Como eu disse, cada caso tem que ser avaliado sempre pensando assim: e se me cobrarem 100% de imposto, ainda assim vale a pena mandar vir de fora?
Quanto maior o pacote, maior a chance de ser tarifado. Uma bike, por exemplo, jamais vai entrar “despercebida” pela receita federal, um par de rodas, idem. Abaixo um exemplo de compra que vale muito a pena:

Roda Mavic Cosmic Carbone SL Premium (sem chance de entrar sem imposto)
Preço médio no Brasil - 6 mil reais
Preço lá fora (já com frete e impostos) = 3700 reais (mas considere que você precisará botar no cartão de crédito internacional em torno de 1800 reais e estar com bala na agulha pra pagar o restante no momento em que a mercadoria entrar no Brasil - tudo bem, esse restante também pode ser pago com cartão de crédito, mas tem que ser à vista).

Coisas menores que dependendo da sorte entram sem imposto, e mesmo que a diferença seja pequena, vale a pena arriscar:

Selim Fi’zi:k Arione CX Carbon
Preço no Brasil - 1200
Preço lá fora - 515 (sem imposto) OU até 990 reais (com imposto)

Clip para triathlon T2 + Cobra (Profile Design)
Preço no Brasil - 750
Preço lá fora - 340 reais (sem imposto) OU até 650 reais (com imposto)

Roupa de borracha Orca (com chance de entrar sem imposto, como vestuário)
Preço no Brasil - 2500 reais
Preço lá fora - 940 reais OU até 1800 com imposto

Uniforme de triathlon Orca (alta chance de entrar sem imposto, por ser pequeno e vestuário)
Preço no Brasil - 450
Preço lá fora - 190 OU até 360 com imposto

O tempo de entrega é de 10 dias em média, sendo que metade (ou mais) do tempo já é dentro do Brasil por causa do trâmite alfandegário.

Por uma questão de princípio, eu só compro de fora em 2 situações: quando o produto não existe no Brasil ou quando a diferença é muito grande, do contrário prefiro incentivar o comércio local/nacional. Mas em 90% dos produtos a gente chega à conclusão de que os lojistas brasileiros geralmente fazem o que podem, e o que realmente nos arrebenta (a nós e aos comerciantes) é o imposto absurdo.

O Brasil quer ser um país olímpico. Um excelente incentivo ao esporte seria deixar de tributar material esportivo. É um absurdo que viajantes possam trazer 12 litros de bebidas alcoólicas, 10 maços de cigarros, 25 unidades de charutos e 250 gramas de fumo sem pagar imposto, mas se eu for comprar uma bicicleta ou um par de rodas no exterior, serei tarifado em até 100%. Por que não tarifar bem alto a entrada de bebida alcoólica e fumo, que são geradores de prejuízo em todos os sentidos e não trazem nada de bom nem para o país ou para quem consome?
A desculpa é que existem similares nacionais no ramo esportivo e que a entrada desses produtos no país ameaça a indústria nacional (sem comentários, como se o Brasil não fabricasse bebida alcoólica).

O governo considera que é “melhor” para o país que entre cachaça e cigarro do que material esportivo. E é assim que se quer fazer uma nação olímpica?