Mr. Domingues

Sempre ouvi que escrevo demais, e-mails longos, cartas intermináveis para namoradas, nunca consegui usar Post-it, enfim, bem ou mal eu gosto de escrever. A intenção é que isso aqui sirva como uma "descarga mental" onde comento fatos, acontecimentos e pensamentos, na verdade, tudo que me der vontade. Sabe quando se vê um filme, lê um livro ou algo no jornal e ficamos com vontade de discutir com alguém sobre o assunto? É pra isso que esse espaço serve, assim eu incomodo menos quem está à minha volta e começo a incomodar anônimos internet afora que queiram ser incomodados. Mas é claro que não vou fugir muito dos meus hobbies, interesses pessoais e profissionais, como saúde, atividade física, esporte, tecnologia e música.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pilates: uma briga ou mais uma lei esquecida?

Lei publicada no Diário Oficial da última sexta-feira (21/05/2010): de hoje em diante o método de ginástica conhecido como Pilates só pode ser ministrado por professores de educação física. Briga direta com os fisioterapeutas, que creio hoje são a maior força de trabalho nessa área e dominam também como formadores de novos profissionais, ministrando cursos Brasil afora.
Pra quem quiser ler a resolução na íntegra, esse é o link . Mas coloco aqui os trechos mais relevantes da lei: "...o Pilates é uma modalidade/método de ginástica que, como tal, deverá ser orientado por Profissionais de Educação Física." "...A prática do Pilates busca o aperfeiçoamento do condicionamento físico geral, a estabilização postural e a melhoria do desempenho nas atividades físico-desportivas e nas atividades típicas da vida diária, expressas pelo aprimoramento da força muscular, da mobilidade articular, do equilíbrio e harmonia de forças das cadeias musculares do aparelho locomotor, da coordenação motora e do equilíbrio e postura corporal." "... cabe aos Profissionais de Educação Física, avaliar, planejar, prescrever, ensinar, aplicar, orientar, controlar, supervisionar, coordenar e dirigir atividades individuais ou coletivas de Pilates, em sua forma original ou em qualquer outra forma derivada..." "...a pessoa jurídica prestadora de serviços na área de atividades físicas, desporto e similares que oferecer o Pilates deve garantir que sua prática seja orientada e dinamizada por Profissionais de Educação Física."
Vejam agora o que diz em outra lei sobre o papel dos fisioterapeutas: “cabe ao fisioterapeuta o diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais, prescrição e aplicação de condutas fisioterápicas e acompanhamento do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço.”
É uma zona bem propícia a duplas interpretações, bem como o uso de exercícios com pesos na recuperação de lesões, muitas vezes é difícil estabelecer onde encerra a função do fisioterapeuta e onde inicia a do Educador Físico - exatamente o que é uma conduta fisioterápica? O Pilates é buscado por muitos como uma forma de exercício físico, como condicionamento geral (papel do educador físico), mas também é feito por pessoas que procuram uma reabilitação ou que têm um problema específico que requer um tratamento fisioterápico (papel do fisioterapeuta). Eu mesmo sou professor de educação física e pratico Pilates, instruído por duas fisioterapeutas (caros colegas, não me crucifixem).
Eu procurei a atividade por causa de um problema de coluna e busquei profissionais com mais experiência na área de fisioterapia porque sei que a formação do profissional de educação física nesta área não é tão boa quanto à dos fisioterapeutas. Busquei profissionais que poderiam compreender clinicamente o meu problema e soubessem como prescrever quase que um “tratamento” através do exercício físico dentro do método Pilates. Com o meu problema não tem cura, o tratamento não tem fim, portanto eu não terei “alta”.
Briga semelhante ocorre (apesar da lei ser tão clara quando à do Pilates) na área da ginástica laboral, que é uma atividade claramente do educador físico, mas que em vários locais é ministrada (equivocadamente) por fisioterapeutas. A divisão que eu faço em relação à fisioterapeutas e educadores físicos é mais ou menos a seguinte: em pessoas saudáveis, ou que buscam o exercício para desempenho esportivo, finalidades estéticas, para desestressar, prevenir lesões, nesses casos é muito claro que são funções do educador físico. Já durante o tratamento de lesões e de pessoas com algum problema de saúde, existe uma “sombra”, uma área obscura que dependendo do ponto de vista pende para o fisioterapeuta ou para o educador físico. Eu mesmo ao longo dos meus 10 anos de professor em academia fiz muitas vezes o papel de fisioterapeuta.
Como atualmente deixei de atuar na área (serviços autônomos e academias), hoje minha preocupação como cliente e consumidor é outra que vai além do diploma do profissional - a formação específica na modalidade Pilates. Antigamente (há menos de 10 anos) o profissional deveria buscar essa formação no exterior, era um curso caríssimo e durava meses. Hoje em dia é possível tornar-se um instrutor de Pilates em cursos que duram (pasmem) 6 dias. Eu como cliente procuro um profissional que tenha bons conhecimentos de anatomia, cinesiologia/biomecânica, enfim formação comum aos dois cursos, mas me preocupo também com o conhecimento na área específica, já que é um método que, se mal conduzido, pode agravar um quadro como o que eu tenho (degeneração de disco intervertebral).
Mas por bem ou por mal, essa com certeza será mais uma daquelas leis do Brasil que alguns sabem que existe, mas não altera em nada o nosso cotidiano. Duvido que o Conselho de Educação Física faça uma fiscalização ofensiva, e, se fizer, provavelmente o Conselho da Fisioterapia vai se defender. Reflexo disso? Pode ser que num futuro distante, para frequentar um curso de Pilates seja exigido ser formado em Educação Física, e assim, no longo prazo, a profissão seria dominada por educadores físicos. Mas tirar do campo de trabalho quem já está estabelecido é algo irreal. E também, se é pro pessoal seguir fazendo cursos de 6 dias... faz alguma diferença?

17 comentários:

  1. Eu sou fisioterapeuta e defendo a aplicação das técnicas de Pilates por ambas as classes assim como os terapeutas ocupacionais e bailarinos profissionais.
    Tendo em vista que o próprio Joseph H. Pilates não tinha formação em fisioterapia e nem em educação física. Nos EUA onde o método foi concebido e tem maior força qualquer pessoa pode fazer um curso de formação, isso eu ja acho errado.
    Mas francamente, o CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA está com ''dor de cotovelo'' dos fisioterapeutas , que na minha opinião a maior parte dos profissionais que trabalham com Pilates no Brasil e quem ministra a maior parte dos cursos de formação são os fisioterapeutas.
    Antes do CREF proibir alguma coisa deveria estudar o que é da competência profissional da grade básica de formação de qualquer fisioterapeuta para não sair proibindo quem praticamente divulga o método no país.

    Fisioterapeutas podem SIM aplicar a ''prática do Pilates busca o aperfeiçoamento do condicionamento físico geral, a estabilização postural e a melhoria do desempenho nas atividades físico-desportivas e nas atividades típicas da vida diária, expressas pelo aprimoramento da força muscular, da mobilidade articular, do equilíbrio e harmonia de forças das cadeias musculares do aparelho locomotor, da coordenação motora e do equilíbrio e postura corporal'' e acrescentaria ainda os benefícios para pacientes/alunos que ainda visem o método como reabilitação funcional de suas lesões físicas osteomusculares, posturais e etc...

    Sou a favor da UNIÃO das classes para o PILATES.

    Att,
    Hugo Carelli

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    1. Concordo plenamente!!
      Terapeutas ocupacionais tem as mesmas bases desnecessárias para a aplicação do Pilates como qualquer um dos nossos colegas graduados. Restringir não é a solução..

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    2. Concordo plenamente!!
      Terapeutas ocupacionais tem as mesmas bases desnecessárias para a aplicação do Pilates como qualquer um dos nossos colegas graduados. Restringir não é a solução..

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    3. Sou terapeuta ocupacional e concordo com a união das classes , visto que temos conhecimento científico para atuar com o método .

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  2. Hugo, concordo contigo, tanto é que faço Pilates com fisioterapeutas. Daqui a pouco vão querer dizer que o alongamento "pertence" a alguém, a musculação pertence a outros, etc.

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  3. Não é uma lei.. e sim uma resolução..significa que não tem força de lei, até pq é unilateral e tedenciosa

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  4. Eu concordo em termos...
    O Pilates pode ser aplicado por fisioterapeutas qdo se tratar de TERAPIA, mas como atividade física, deve ser aplicado por um Educador Físico. Se não fosse assim, qualquer educador físico poderia fazer um curso de RPG e trabalhar com isso, afinal de contas, eles tem conhecimento suficiente para tal...

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    1. Pois é o que nós educadores físicos devemos fazer...cursos de rpg e outras práticas, daí quero ver se os fisioterapeutas serão afim de "unir as classes"

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  5. Interessante, pois Pilates foi um lutador de boxe e por alguns problemas de saúde, ele foi em busca da saúde. Desenvolveu assim este método, penso que um fisioterapeuta, prof. educação física e bailarinos, tem um grande potencial para trabalhar com Pilates. Bem, acho que devemos sempre procurar a origem de tudo e não entrarmos num modernismo. Como marcas de alguma coisa.

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  6. Pois bem, eu acho que o Pilates como exercício físico deve ser conduzido por professor de educação física. Quando o objetivo for reabilitação, é o fisioterapeuta que deve atuar. No entanto, o problema aqui é o limite entre reabilitação e treinamento físico. Como determinar? Não se pode dizer que os conselhos profissionais vão fiscalizar, pois no caso do CREF, o conselho é muito deficiente.

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    1. E quando se trata de promoção da saúde e prevenção de doenças? Não concorda que há uma sobreposição de ambos profissionais?

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Não concordo com vc colega, cada um na sua area, é por esses e outros motivos que a medicina é respeitada e bem remunerada, pois o que é de medicina é de medicina e ponto. Essa conversa que ha espaço pra todos, não cola, fisioterapia é para reabilitações e sim tem muito espaço pra vcs na area de vcs. Ed, Física tem que parar de ser sempre os bonzinhos. Lutem por nossa classe Galera!

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  9. Concordo com o Neir, a medicina tá aí, bem remunerada e ponto, abrindo gente por abrir, as pessoas cada vez com menos saúde e dependendo duma classe de gente gananciosa, conservadora e formada pela insdustria farmacêutica para encher as pessoas de remédio. Isso aí não é lei, é uma definição Interna do Conselho feita para reservar um mercado que está crescendo, cara de pau pura. Um método que só sobreviveu e foi desenvolvido por bailarinos não pode ser aplicado por eles. As pessoas nem sabem o que faz um bailarino, ou a complexidade de dar uma aula de dança ou quantos anos levamos para nos tornarmos bailarinos, e falam sobre esses profissionais como se soubessem mais?! Oi?

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  10. Não concordo quando diz que pessoas saudáveis devem claramente praticar Pilates com um educador físico e para "doentes" existe uma sobreposição da atuação do fisioterapeuta e do educador físico. Para mim, ambos estão habilitados com promoção da saúde e prevenção de doenças, portanto, trabalham com pessoas saudáveis. Já não acredito que o profissional da Educação física apenas com o curso de Pilates esteja preparado para tratar as mais diversas patologias físicas utilizando o Método.
    Por outro lado, também não acredito que um fisioterapeuta esteja apto para utilizar o Método Pilates na melhora do desempenho esportivo de um atleta, por exemplo.

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  11. Thaiany, não entendi se você não concorda com algo que eu escrevi ou com o que os comentários acima afirmam. De qualquer forma, as suas 2 últimas frases sintetizam exatamente o que eu penso. E apenas como devaneio, em conversa com profissionais donos de academias e centros de fisioterapia, o que eu mais ouço é: está muito difícil achar fisioterapeuta que queira trabalhar com doentes e reabilitação, parece que todo mundo só sabe fazer curso de Pilates e atuar quase que como um "personal trainer".

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  12. Sinceramente? Falta uma definição mais clara dos limites das duas profissões. Acho que ambos os Conselhos deveriam se reunir e por fim as dúvidas, analisar a grade obrigatória de cada curso e assim por ela definir o que é de quem, colocar no papel e fazer ter força de lei. O que não pode existir é falta de capacitação para executar algo.

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