Mr. Domingues

Sempre ouvi que escrevo demais, e-mails longos, cartas intermináveis para namoradas, nunca consegui usar Post-it, enfim, bem ou mal eu gosto de escrever. A intenção é que isso aqui sirva como uma "descarga mental" onde comento fatos, acontecimentos e pensamentos, na verdade, tudo que me der vontade. Sabe quando se vê um filme, lê um livro ou algo no jornal e ficamos com vontade de discutir com alguém sobre o assunto? É pra isso que esse espaço serve, assim eu incomodo menos quem está à minha volta e começo a incomodar anônimos internet afora que queiram ser incomodados. Mas é claro que não vou fugir muito dos meus hobbies, interesses pessoais e profissionais, como saúde, atividade física, esporte, tecnologia e música.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Corrida na gestação - Parte 1
Postagem baseada em uma entrevista minha para uma revista especializada em corridas.

1. A prática constante de corrida ou de qualquer outra atividade esportiva pode dificultar a concepção?
A concepção pode ser dificultada em algumas mulheres esportistas por causa de desequilíbrios hormonais, normalmente causados pela falta de gordura corporal, que pode levar à amenorréia (não menstruação) ou à oligomenorréia (ciclo irregular ou pouca menstruação). A corrida por ser uma atividade excelente para a queima de gordura pode levar mulheres a esse quadro. Essa dificuldade em conceber pela falta de gordura corporal pode ocorrer em atletas de esportes cíclicos (natação, ciclismo e corrida) e em bailarinas também. Em quadros mais graves a osteoporose é outro sintoma que surge com o passar dos anos. Repare que eu usei várias vezes o termo “pode”. Se a corredora tem seus ciclos menstruais regulares, mesmo assim não consegue engravidar, provavelmente outro fator é que está dificultando a concepção, e não a corrida. Lembrando que um casal deve se preocupar com infertilidade apenas após 6 meses tentando engravidar sem sucesso, antes disso o negócio é continuar tentando.

2. Há algum momento na gravidez em que é necessário parar totalmente os treinos de corrida?
Quando a bolsa romper.
A mulher é a melhor pessoa para reconhecer esse momento de parar. O mito de que a corrida é proibida no início da gravidez é somente isso, um mito. Lembrando sempre que estamos falando de mulheres saudáveis, que não tenham histórico de perda gestacional. Se uma mulher já teve aborto espontâneo e seu médico aconselha que ela evite atividades de impacto, pode ser o mais apropriado para o caso dela até porque discordar do médico pode ser um fator estressante, mas não existe qualquer evidência científica de que o impacto da corrida (em qualquer época da gestação) traga algum prejuízo.
Pense também que muitas corredoras descobriram sua gravidez já no segundo mês, não mudaram suas rotinas de corrida e nem por isso prejudicaram a gestação.
Dificilmente uma grávida conseguirá manter-se correndo durante todos os 9 meses, mas geralmente os obstáculos são incômodos como os enjôos do início da gestação e desconfortos biomecânicos (peso da barriga e dos seios) mais perto do final da gravidez (existem suportes elásticos para a barriga e os seios que podem ajudar a mulher nessa hora). Por isso muitas mulheres correm bastante no meio da gravidez, do quarto ao sétimo mês.
Cuidado com as quedas!!! Bater com a barriga pode ser prejudicial e a mulher deve estar bem consciente que com o avanço da gravidez seu centro de gravidade vai sendo alterado e o equilíbrio precisa ser “ajustado”. O reforço muscular do abdômen e da região lombar é excelente tanto para evitar dor nas costas quanto para ajudar a contrabalançar os desvios posturais naturais da gestação.

3. A gravidez traz consigo algumas mudanças no organismo. O que a corredora vai sentir de diferente durante este período?
É normal que a corredora sinta-se mais cansada e menos disposta com o avanço da gravidez. O aumento do peso corporal é uma sobrecarga nas articulações (joelhos e calcanhares) que pode gerar desconforto e até dor durante o exercício. Dores persistentes que seguem mesmo após cessar a atividade devem ser investigadas.
Mulheres que costumam controlar seu ritmo de corrida pelo cronômetro perceberão rápidas mudanças após o início do terceiro mês que progredirão, deixando a mulher cada vez mais lenta. A melhor coisa a fazer é deixar o cronômetro em casa, já que mulheres extremamente competitivas podem sentir-se desmotivadas a seguir com a atividade. Claro que todas as mudanças são proporcionais ao treinamento prévio da atleta. Paula Radcliffe correu rústicas durante a gravidez de forma recreativa, aos 6 meses de gestação ela fazia 10 km em 40 minutos, o que para ela era um ritmo “de passeio”, mas que para muitas mulheres é um ritmo forte.
Mudanças de humor podem afetar a vida da corredora também. Pessoas ativas são menos susceptíveis a sintomas depressivos, mas a gravidez é um período tão singular que flutuações hormonais podem fazer com que se tenha menos vontade de se exercitar, mas com sorte é apenas um sentimento passageiro.
Parece desnecessário, mas é preciso lembrar que nessa hora a mulher deve esquecer a performance e pensar apenas em uma atividade que vai trazer saúde para a dupla. O exercício deve ser sempre prazeroso, não é hora de se esforçar para melhorar algum tempo. Se a mulher apenas corre, pode ser o momento para procurar atividades diferentes como natação, ginástica em academia, musculação, etc. A alternância de atividades aumenta a chance dela se manter ativa tanto por razões psicológicas quanto físicas. O importante é não parar, o sedentarismo sim, é com certeza prejudicial.

Um comentário:

  1. soniacfrm@gmail.com10 de outubro de 2011 10:44

    Boa Tarde:

    Sou uma atleta tenho 33 anos e tenho andado na net a fazer pesquisas sobre correr gravida...pode -me dar mais referencias...
    Obrigada

    Sónia Machado

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